Pterígio: Achados Histopatológicos e Diagnóstico Diferencial

CBO Teórica 1 - Prova de Bases da Oftalmologia — Prova 2008

Enunciado

O exame de um fragmento tecidual retirado da conjuntiva de um paciente adulto evidenciou hialinização do tecido conectivo subepitelial, coleção de material granular eosinofílico com aumento de fibroblastos e degeneração elastótica. Estes achados são compatíveis com o diagnóstico de:

Alternativas

  1. A) Conjuntivite bacteriana
  2. B) Conjuntivite límbica superior
  3. C) Sarcoma de Kaposi
  4. D) Pterígio

Pérola Clínica

Pterígio = Degeneração elastótica do colágeno + hialinização subepitelial conjuntival.

Resumo-Chave

O pterígio é uma proliferação fibrovascular benigna que invade a córnea, caracterizada histologicamente por degeneração elastótica do estroma e hialinização subepitelial.

Contexto Educacional

O pterígio é uma condição degenerativa e proliferativa da conjuntiva bulbar, com forte correlação epidemiológica com a exposição solar (UV) e climas tropicais. Na patologia, o termo 'degeneração elastótica' é clássico para descrever o colágeno alterado que adquire afinidade por corantes de elastina. Compreender esses termos histológicos é vital para o diagnóstico diferencial de lesões da superfície ocular. Enquanto o pterígio é benigno, sua apresentação pode mimetizar a neoplasia intraepitelial conjuntival (NIC) ou o carcinoma espinocelular, que apresentam atipia celular e perda de polaridade epitelial, achados ausentes no pterígio simples. O tratamento é cirúrgico quando há ameaça ao eixo visual ou desconforto persistente.

Perguntas Frequentes

O que define a degeneração elastótica no pterígio?

A degeneração elastótica refere-se à alteração das fibras colágenas do estroma conjuntival, que assumem uma aparência semelhante ao tecido elástico sob colorações específicas, como a de Verhoeff-van Gieson, embora não sejam fibras elásticas verdadeiras. Esse processo degenerativo é frequentemente associado à exposição crônica e cumulativa à radiação ultravioleta, levando à fragmentação, espessamento e hialinização do tecido conectivo subepitelial. Na análise histopatológica, observa-se um material granular eosinofílico e um aumento na atividade de fibroblastos, refletindo a natureza proliferativa e degenerativa da lesão.

Qual a diferença histológica entre pterígio e pinguécula?

Histologicamente, tanto o pterígio quanto a pinguécula apresentam degeneração elastótica e hialinização do estroma conjuntival. A principal distinção reside na localização e no comportamento clínico-patológico: o pterígio é uma lesão triangular que ultrapassa o limbo e invade a córnea, provocando a destruição da membrana de Bowman e podendo causar astigmatismo ou obstrução do eixo visual. Já a pinguécula permanece restrita à conjuntiva bulbar, geralmente no lado nasal ou temporal, sem apresentar essa característica invasiva corneana, sendo considerada uma alteração degenerativa mais localizada.

Quais são os principais componentes celulares vistos no pterígio?

No exame histopatológico do pterígio, observa-se um aumento significativo na densidade de fibroblastos no estroma, acompanhado por uma rica rede vascular (proliferação fibrovascular). O epitélio sobrejacente pode variar desde a normalidade até graus variados de hiperplasia, displasia ou metaplasia escamosa. É comum encontrar material granular eosinofílico disperso no tecido conectivo subepitelial hialinizado. A presença de células inflamatórias crônicas, como linfócitos e mastócitos, também pode ser notada, corroborando a teoria de que processos inflamatórios crônicos contribuem para a patogênese da doença.

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