CBO Teórica 1 - Prova de Bases da Oftalmologia — Prova 2008
O exame de um fragmento tecidual retirado da conjuntiva de um paciente adulto evidenciou hialinização do tecido conectivo subepitelial, coleção de material granular eosinofílico com aumento de fibroblastos e degeneração elastótica. Estes achados são compatíveis com o diagnóstico de:
Pterígio = Degeneração elastótica do colágeno + hialinização subepitelial conjuntival.
O pterígio é uma proliferação fibrovascular benigna que invade a córnea, caracterizada histologicamente por degeneração elastótica do estroma e hialinização subepitelial.
O pterígio é uma condição degenerativa e proliferativa da conjuntiva bulbar, com forte correlação epidemiológica com a exposição solar (UV) e climas tropicais. Na patologia, o termo 'degeneração elastótica' é clássico para descrever o colágeno alterado que adquire afinidade por corantes de elastina. Compreender esses termos histológicos é vital para o diagnóstico diferencial de lesões da superfície ocular. Enquanto o pterígio é benigno, sua apresentação pode mimetizar a neoplasia intraepitelial conjuntival (NIC) ou o carcinoma espinocelular, que apresentam atipia celular e perda de polaridade epitelial, achados ausentes no pterígio simples. O tratamento é cirúrgico quando há ameaça ao eixo visual ou desconforto persistente.
A degeneração elastótica refere-se à alteração das fibras colágenas do estroma conjuntival, que assumem uma aparência semelhante ao tecido elástico sob colorações específicas, como a de Verhoeff-van Gieson, embora não sejam fibras elásticas verdadeiras. Esse processo degenerativo é frequentemente associado à exposição crônica e cumulativa à radiação ultravioleta, levando à fragmentação, espessamento e hialinização do tecido conectivo subepitelial. Na análise histopatológica, observa-se um material granular eosinofílico e um aumento na atividade de fibroblastos, refletindo a natureza proliferativa e degenerativa da lesão.
Histologicamente, tanto o pterígio quanto a pinguécula apresentam degeneração elastótica e hialinização do estroma conjuntival. A principal distinção reside na localização e no comportamento clínico-patológico: o pterígio é uma lesão triangular que ultrapassa o limbo e invade a córnea, provocando a destruição da membrana de Bowman e podendo causar astigmatismo ou obstrução do eixo visual. Já a pinguécula permanece restrita à conjuntiva bulbar, geralmente no lado nasal ou temporal, sem apresentar essa característica invasiva corneana, sendo considerada uma alteração degenerativa mais localizada.
No exame histopatológico do pterígio, observa-se um aumento significativo na densidade de fibroblastos no estroma, acompanhado por uma rica rede vascular (proliferação fibrovascular). O epitélio sobrejacente pode variar desde a normalidade até graus variados de hiperplasia, displasia ou metaplasia escamosa. É comum encontrar material granular eosinofílico disperso no tecido conectivo subepitelial hialinizado. A presença de células inflamatórias crônicas, como linfócitos e mastócitos, também pode ser notada, corroborando a teoria de que processos inflamatórios crônicos contribuem para a patogênese da doença.
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