HMASP - Hospital Militar de Área de São Paulo — Prova 2020
Paciente de 19 anos, previamente hígido, sem comorbidades, iniciou há 2 meses quadro de diminuição da sensibilidade em membro superior esquerdo, que evoluiu ao longo dos meses com dificuldade para abotoar a roupa com a mão esquerda. Há 2 dias, começou a apresentar quadro de cefaleia, que se seguiu de episódios de vômitos há 1 dia e no dia que procurou o Pronto Socorro do Hospital. Considerando a abordagem inicial do caso, qual seria a melhor conduta?
Cefaleia + Vômitos + Déficit focal → Exame físico (Kernig/Brudzinski) e temperatura antes de condutas invasivas.
Na abordagem inicial de quadros neurológicos agudos ou subagudos, a propedêutica física básica (sinais meníngeos e febre) é prioritária para direcionar o diagnóstico diferencial entre infecção e massa expansiva.
O manejo de pacientes com queixas neurológicas no pronto-socorro exige uma diferenciação rápida entre causas vasculares, infecciosas e expansivas. A presença de cefaleia holocraniana associada a vômitos em jato é um sinal clássico de aumento da pressão intracraniana. No entanto, a semiologia médica permanece como pilar fundamental: a pesquisa de sinais de Kernig e Brudzinski, juntamente com a aferição da temperatura, permite ao clínico estreitar o diagnóstico diferencial entre uma síndrome meníngea pura e uma síndrome de hipertensão intracraniana isolada.
Os sinais de Kernig e Brudzinski são indicadores clássicos de irritação meníngea. O sinal de Kernig é positivo quando há resistência ou dor à extensão do joelho com a coxa flexionada a 90 graus. O sinal de Brudzinski ocorre quando a flexão passiva do pescoço provoca a flexão involuntária dos quadris e joelhos. Ambos sugerem inflamação das meninges, seja por infecção, hemorragia subaracnoidea ou processos neoplásicos, sendo fundamentais na triagem inicial de pacientes com cefaleia e sinais sistêmicos no pronto-socorro.
Embora a TC de crânio seja essencial para avaliar hipertensão intracraniana ou massas, a questão foca na 'melhor conduta inicial' dentro do exame físico. Verificar a temperatura e sinais meníngeos é um passo imediato, de baixo custo e beira-leito que direciona o raciocínio clínico. A estabilização e o exame físico detalhado devem preceder o deslocamento do paciente para exames de imagem, especialmente se houver suspeita de meningite infecciosa que exija isolamento ou antibioticoterapia precoce.
O déficit motor de 2 meses (diminuição de sensibilidade e dificuldade motora fina) sugere uma lesão estrutural de evolução subaguda, como um tumor ou abscesso cerebral. A cefaleia e os vômitos recentes podem indicar uma descompensação dessa lesão ou o desenvolvimento de hidrocefalia obstrutiva. No entanto, a propedêutica inicial no PS deve sempre descartar processos agudos sobrepostos, como meningite, através da pesquisa de febre e sinais de irritação meníngea.
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