INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2025
Adolescente de 15 anos com fibrose cística comparece ao pronto-socorro com aumento da tosse produtiva, expectoração purulenta e febre iniciada há três dias. Ele relata piora da dispneia, e sua mãe, que o acompanha, observa que ele tem tido mais dificuldade para realizar suas atividades diárias. Ao exame físico, o paciente apresenta moderado desconforto respiratório, com taquipneia (frequência respiratória de 32 irpm), sibilos bilaterais e diminuição do murmúrio vesicular nas bases pulmonares. A saturação de oxigênio em ar ambiente é de 87%. Considerando o quadro clínico apresentado, a abordagem inicial é
Exacerbação pulmonar em FC → internação, O2, ATB IV amplo espectro e cultura de escarro para guiar terapia.
A exacerbação pulmonar na fibrose cística é uma condição grave que requer tratamento agressivo. A hipoxemia (saturação de 87%) e o desconforto respiratório indicam a necessidade de oxigenoterapia e internação. A antibioticoterapia empírica de amplo espectro intravenosa é crucial devido à alta prevalência de infecções bacterianas resistentes, enquanto a cultura de escarro permite direcionar o tratamento.
A fibrose cística (FC) é uma doença genética autossômica recessiva que afeta principalmente os pulmões, pâncreas e outros órgãos exócrinos. As exacerbações pulmonares são eventos agudos caracterizados por piora dos sintomas respiratórios e declínio da função pulmonar, sendo a principal causa de morbidade e mortalidade nesses pacientes. O reconhecimento precoce e o manejo agressivo são fundamentais para preservar a função pulmonar e melhorar a qualidade de vida. A prevalência varia, mas é uma das doenças genéticas mais comuns em populações caucasianas. A fisiopatologia das exacerbações envolve um ciclo vicioso de infecção, inflamação e obstrução das vias aéreas. O diagnóstico é clínico, baseado nos sintomas respiratórios agudizados, e confirmado por exames laboratoriais (leucocitose, PCR elevado) e radiológicos. A hipoxemia, o desconforto respiratório e a incapacidade de manter as atividades diárias são indicadores de gravidade que demandam internação. A cultura de escarro é essencial para identificar os patógenos predominantes e guiar a escolha dos antibióticos, que frequentemente precisam cobrir bactérias resistentes. O tratamento inicial inclui oxigenoterapia para manter a saturação >90%, antibioticoterapia intravenosa de amplo espectro (geralmente cobrindo Pseudomonas aeruginosa), broncodilatadores, fisioterapia respiratória intensiva e hidratação adequada. A escolha do antibiótico empírico deve considerar o histórico de culturas do paciente. O prognóstico depende da gravidade da exacerbação, da resposta ao tratamento e da função pulmonar basal do paciente, sendo que exacerbações frequentes contribuem para o declínio progressivo da função pulmonar.
Os sinais incluem aumento da tosse produtiva, expectoração purulenta, febre, piora da dispneia, diminuição da tolerância ao exercício, e achados no exame físico como sibilos e diminuição do murmúrio vesicular.
A conduta inicial envolve internação hospitalar, início imediato de oxigenoterapia para corrigir a hipoxemia, antibioticoterapia intravenosa de amplo espectro e coleta de cultura de escarro para direcionar o tratamento antimicrobiano.
A cultura de escarro é crucial porque pacientes com fibrose cística frequentemente são colonizados por bactérias multirresistentes, como Pseudomonas aeruginosa e Staphylococcus aureus. A cultura permite identificar o patógeno e ajustar a antibioticoterapia para um tratamento mais eficaz e direcionado.
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