Fibrose Cística: Tratamento de Exacerbação Pulmonar

USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2017

Enunciado

Menino, 11 anos de idade, com Fibrose Cística, em seguimento regular em ambulatório de pneumologia. Procura pronto socorro com quadro de tosse produtiva, com secreção esverdeada, associado a dispneia e dor torácica há três dias. Radiografia de tórax com padrão semelhante ao basal do paciente, sem novos achados. Em consultas recentes, realizou coletas de culturas de escarro, nas quais foram encontradas Staphylococcus aureus meticilino-sensível e Pseudomonas aeruginosa multi-sensível. O melhor esquema antimicrobiano para tratamento do quadro atual é a associação de:

Alternativas

  1. A) Clindamicina, ceftraxone e claritromicina; 
  2. B) Oxacilina, ceftazidima e amicacina; 
  3. C) Teicoplanina, cefuroxima e azitromicina; 
  4. D) Vancomicina, cefotaxima e gentamicina. 

Pérola Clínica

Exacerbação pulmonar em Fibrose Cística com S. aureus MSSA e P. aeruginosa → Oxacilina + Ceftazidima + Amicacina.

Resumo-Chave

Em pacientes com Fibrose Cística e exacerbação pulmonar, o tratamento antimicrobiano deve cobrir os patógenos mais comuns, como Staphylococcus aureus (seja meticilino-sensível ou resistente) e Pseudomonas aeruginosa. A combinação de oxacilina para MSSA e ceftazidima com amicacina para Pseudomonas é um esquema robusto e apropriado.

Contexto Educacional

A Fibrose Cística (FC) é uma doença genética autossômica recessiva que afeta principalmente os pulmões, pâncreas e outros órgãos, caracterizada pela produção de muco espesso que obstrui ductos e vias aéreas. As infecções pulmonares crônicas e as exacerbações agudas são a principal causa de morbidade e mortalidade nesses pacientes. A epidemiologia das infecções pulmonares na FC mostra uma progressão de Staphylococcus aureus e Haemophilus influenzae na infância para Pseudomonas aeruginosa na adolescência e vida adulta, sendo este último um marcador de pior prognóstico. O diagnóstico de uma exacerbação pulmonar na FC é clínico, baseado no aumento da tosse, produção de escarro, dispneia, dor torácica e piora da função pulmonar. A fisiopatologia envolve a formação de biofilmes bacterianos nas vias aéreas, tornando as bactérias mais resistentes aos antibióticos e à resposta imune do hospedeiro. A cultura de escarro é essencial para guiar a antibioticoterapia. Neste caso, a presença de Staphylococcus aureus meticilino-sensível (MSSA) e Pseudomonas aeruginosa multi-sensível direciona a escolha dos antimicrobianos. O tratamento de exacerbações pulmonares na FC exige um esquema antimicrobiano agressivo e direcionado. Para Staphylococcus aureus meticilino-sensível, a oxacilina é uma escolha apropriada. Para Pseudomonas aeruginosa, a combinação de um beta-lactâmico antipseudomonas (como ceftazidima, piperacilina-tazobactam ou meropenem) com um aminoglicosídeo (como amicacina ou tobramicina) é frequentemente utilizada para otimizar a erradicação e superar a resistência. A duração do tratamento geralmente varia de 10 a 14 dias, e o prognóstico depende da gravidade da exacerbação e da resposta ao tratamento.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais patógenos em exacerbações pulmonares da Fibrose Cística?

Os principais patógenos em exacerbações pulmonares da Fibrose Cística incluem Staphylococcus aureus (meticilino-sensível e resistente) e Pseudomonas aeruginosa, sendo este último um colonizador crônico e de difícil erradicação.

Por que a cobertura dupla para Pseudomonas aeruginosa é importante na Fibrose Cística?

A cobertura dupla para Pseudomonas aeruginosa (geralmente um beta-lactâmico antipseudomonas e um aminoglicosídeo) é recomendada em exacerbações graves ou em pacientes com doença avançada para otimizar a erradicação e prevenir a resistência.

Qual o papel da oxacilina no tratamento de exacerbações em Fibrose Cística?

A oxacilina é utilizada para cobrir Staphylococcus aureus meticilino-sensível (MSSA), um patógeno comum em pacientes com Fibrose Cística, especialmente em idades mais jovens. Em caso de MRSA, a vancomicina seria a escolha.

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