Asma Grave: Identificação e Tratamento com Corticoides

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2019

Enunciado

Um paciente de 22 ano de idade, pedreiro, com antecedentes de rinite e eczema desde a infância, referiu episódios transitórios de dor torácica, associados à dispneia e a chiado cerca de três vezes ao mês, com melhora significativa após uso de salbutamol, em repetidas doses. Porém, referiu piora progressiva nas últimas semanas, desde que iniciou tratamento para dorsalgia. Há dois dias, teve dificuldade para falar palavras, sendo então encaminhado ao pronto-socorro. Ao exame físico, apresentou sibilos inspiratórios e expiratórios, FR de 32 irm, FC de 122 bpm e SO₂ de 88% em ar ambiente. Com relação a esse caso hipotético, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) O paciente apresenta exacerbação aguda moderada de asma.
  2. B) É esperado um pico de fluxo expiratório entre 50 e 70% do predito diante do quadroclínico descrito.
  3. C) O alvo da saturação de oxigênio para alta hospitalar após medidas terapêuticas é de 90%.
  4. D) Deve ser indicada prednisolona 1 mg/kg via oral por um período de cinco a sete dias, após exacerbação aguda.
  5. E) O sulfato de magnésio deve ser instituído inicialmente, em conjunto com corticoide sistêmico e beta-agonista de curta duração.

Pérola Clínica

Asma grave: dificuldade de fala, SatO₂ < 90% → Iniciar corticoide sistêmico (prednisolona oral 5-7 dias).

Resumo-Chave

A dificuldade para falar e a SatO₂ de 88% são indicadores de uma exacerbação grave de asma, exigindo tratamento imediato com oxigenoterapia, broncodilatadores de curta ação e corticosteroides sistêmicos. A prednisolona oral, na dose e duração indicadas, é fundamental para reduzir a inflamação subjacente e prevenir a progressão do quadro.

Contexto Educacional

A exacerbação aguda de asma é uma condição médica comum e potencialmente grave, caracterizada por um aumento progressivo da dispneia, tosse, sibilos e opressão torácica. A identificação rápida dos sinais de gravidade é fundamental para um manejo eficaz e para prevenir desfechos adversos. Pacientes com histórico de atopia, como rinite e eczema, têm maior risco de asma e exacerbações. A fisiopatologia envolve broncoespasmo, inflamação das vias aéreas e hipersecreção de muco, levando à obstrução do fluxo aéreo. Sinais como dificuldade para falar, frequência respiratória elevada (>30 irpm), frequência cardíaca >120 bpm e saturação de oxigênio <90% em ar ambiente são marcadores de exacerbação grave e indicam a necessidade de intervenção imediata. O tratamento de uma exacerbação grave de asma inclui oxigenoterapia para manter a saturação alvo, broncodilatadores beta-agonistas de curta duração (ex: salbutamol) administrados por nebulização ou inalador dosimetrado com espaçador, e corticosteroides sistêmicos (ex: prednisolona oral ou metilprednisolona IV) para reduzir a inflamação. A prednisolona oral na dose de 1 mg/kg/dia por 5 a 7 dias é uma terapia padrão. O sulfato de magnésio pode ser considerado em casos refratários.

Perguntas Frequentes

Quando o sulfato de magnésio deve ser considerado no tratamento da exacerbação de asma?

O sulfato de magnésio intravenoso é recomendado para pacientes com exacerbação grave de asma que não respondem adequadamente à terapia inicial com beta-agonistas e corticosteroides sistêmicos, ou para aqueles com risco de vida.

Qual a importância da avaliação da capacidade de fala na exacerbação de asma?

A capacidade de fala é um indicador rápido e prático da gravidade da exacerbação. A dificuldade para falar frases completas ou a fala em palavras isoladas sugere obstrução significativa das vias aéreas e esforço respiratório acentuado, indicando um quadro grave.

Qual o objetivo da oxigenoterapia na exacerbação aguda de asma?

O objetivo da oxigenoterapia é manter a saturação de oxigênio entre 92% e 94% (ou 94-98% em crianças), corrigindo a hipoxemia causada pela ventilação-perfusão inadequada nos pulmões e reduzindo o trabalho cardíaco.

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