Santa Casa de Belo Horizonte (MG) — Prova 2015
Paciente de 68 anos, portador de Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica – DPOC – de etiologia tabágica, em uso de oxigênio domiciliar há 2 meses ainda em atividade laboral em domicílio. Iniciou, há dois dias, quadro de piora da tosse basal, alteração do escarro para verde amarelado e piora da dispneia, mesmo com o uso do oxigênio. Admitido no Pronto Atendimento com estabilidade hemodinâmica, frequência respiratória de 24 incursões por minuto, saturando 85% em ar ambiente. Ausculta respiratória reduzida difusamente com sibilos mesotele-expiratórios. Gasometria arterial: pH: 7,37 pO2: 62mmHg pCO2: 60mmHg HCO3: 34mmol/L. Sobre o caso clínico descrito, assinale a alternativa INCORRETA.
Exacerbação DPOC grave com hipoxemia e hipercapnia → Oxigenioterapia alvo (90-92%), broncodilatadores, corticoide sistêmico, ATB.
Paciente com DPOC e exacerbação grave, apresentando hipoxemia e hipercapnia, necessita de tratamento intensivo. A oxigenioterapia deve ser controlada para evitar hiperóxia e piora da hipercapnia, visando saturação de 90-92%. A indicação de VNI ou UTI depende da resposta ao tratamento inicial e da gravidade da acidose.
A exacerbação da Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é um evento agudo caracterizado por piora dos sintomas respiratórios basais, como dispneia, tosse e produção de escarro, que requerem mudança na terapia. É uma causa frequente de hospitalização e morbimortalidade em pacientes com DPOC, muitas vezes desencadeada por infecções respiratórias. O diagnóstico é clínico, e a avaliação da gravidade inclui a análise da gasometria arterial para identificar hipoxemia (pO2 baixa) e hipercapnia (pCO2 elevada), além do pH para determinar a presença de acidose respiratória. A ausculta pulmonar pode revelar sibilos e redução do murmúrio vesicular. O tratamento de uma exacerbação grave de DPOC envolve oxigenioterapia controlada (alvo SpO2 90-92%), broncodilatadores de curta ação, corticosteroides sistêmicos e, em casos de sinais de infecção bacteriana (escarro purulento, febre), antibioticoterapia. A ventilação não invasiva (VNI) é uma intervenção crucial para pacientes com acidose respiratória e/ou trabalho respiratório aumentado, podendo evitar a intubação orotraqueal. A transferência para terapia intensiva é indicada em casos de falha da VNI, instabilidade hemodinâmica, rebaixamento do nível de consciência ou acidose respiratória grave e progressiva.
Uma exacerbação é caracterizada por piora aguda dos sintomas respiratórios (dispneia, tosse, volume/purulência do escarro) que requerem mudança na medicação habitual do paciente.
O objetivo é manter a saturação entre 90-92% para evitar hipoxemia grave sem induzir hiperóxia, que pode deprimir o drive respiratório e agravar a hipercapnia.
A VNI é indicada em pacientes com exacerbação grave que apresentam acidose respiratória (pH < 7,35 e pCO2 > 45 mmHg) e/ou trabalho respiratório aumentado, após otimização do tratamento medicamentoso.
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