HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2024
Homem, 75 anos de idade, procura pronto-socorro por dispneia de longa data, principalmente ao subir ladeiras, com piora progressiva há 3 dias, associada a tosse com secreção amarelada em grande quantidade. Nega febre. Tem antecedente de hipertensão arterial sistêmica e tabagismo, com carga tabágica de 80 maços-ano. Está em uso de formoterol 2 vezes ao dia. Relata quadro semelhante há 2 meses quando foi internado para antibioticoterapia. Ao exame físico, está com estado geral regular, FC: 105 bpm/minuto, FR: 35 irpm/minuto, temperatura axilar: 38°C, saturação periférica de oxigênio de 86% a.a. e PA: 110 x 78 mmHg. Ausculta pulmonar globalmente reduzida com estertores na base direita, sem outras alterações. Foram realizados testes de antígeno que descartaram infecção por influenza vírus e SARS-CoV-2. Entre as opções abaixo, a melhor antibioticoterapia para este paciente é:
Exacerbação grave de DPOC com fatores de risco para Pseudomonas ou falha terapêutica inicial → Fluoroquinolona respiratória (Levofloxacino).
Pacientes com exacerbação de DPOC que apresentam fatores de risco para má evolução (idade avançada, comorbidades, uso prévio de antibióticos, internações recentes) ou sinais de gravidade (hipoxemia, febre, grande volume de escarro purulento) necessitam de cobertura antibiótica mais ampla, como uma fluoroquinolona respiratória.
A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é uma condição progressiva e debilitante, frequentemente causada pelo tabagismo, caracterizada por limitação do fluxo aéreo. As exacerbações agudas são eventos cruciais que impactam a qualidade de vida, aceleram o declínio da função pulmonar e aumentam a mortalidade. O reconhecimento precoce e o manejo adequado são vitais. A fisiopatologia das exacerbações envolve um aumento da inflamação nas vias aéreas, frequentemente desencadeado por infecções virais ou bacterianas, ou poluentes ambientais. Os sintomas incluem piora da dispneia, tosse e produção de escarro, que pode se tornar purulento. A avaliação da gravidade é essencial para determinar o local de tratamento (ambulatorial vs. hospitalar) e a necessidade de suporte ventilatório. O tratamento de uma exacerbação de DPOC inclui broncodilatadores de curta ação, corticosteroides sistêmicos e, em muitos casos, antibióticos. A escolha do antibiótico depende da gravidade da exacerbação, fatores de risco do paciente (como idade, comorbidades, uso prévio de antibióticos, colonização por Pseudomonas) e padrões de resistência locais. Fluoroquinolonas respiratórias como o levofloxacino são indicadas para casos moderados a graves ou com fatores de risco.
A antibioticoterapia é indicada se o paciente apresentar os três critérios de Anthonisen (aumento da dispneia, aumento do volume de escarro e aumento da purulência do escarro) ou dois desses critérios, sendo um deles a purulência, ou exacerbações graves que necessitem de ventilação mecânica.
O levofloxacino é uma fluoroquinolona respiratória com excelente cobertura para patógenos típicos e atípicos, incluindo Streptococcus pneumoniae, Haemophilus influenzae e Moraxella catarrhalis, além de ter atividade contra algumas cepas de Pseudomonas aeruginosa, sendo uma boa escolha para pacientes com DPOC grave ou com fatores de risco.
Os principais patógenos são Haemophilus influenzae, Streptococcus pneumoniae e Moraxella catarrhalis. Em pacientes com DPOC grave, bronquiectasias ou uso frequente de antibióticos, Pseudomonas aeruginosa também deve ser considerada.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo