PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2015
Um paciente idoso é internado com relato de dispneia progressiva nos últimos dois dias, associada à tosse e expectoração amarelada abundante, sem febre. Diz ser portador de DPOC e ter sido internado, com crise semelhante, há seis meses. Com relação ao caso, assinale a alternativa ERRADA:
Corticosteroides orais em DPOC são para exacerbações, não uso contínuo por tempo indeterminado.
O uso de corticosteroides orais em DPOC é indicado para o tratamento de exacerbações agudas, geralmente por um período curto (5-14 dias). O uso prolongado e indeterminado de prednisona oral não é recomendado devido aos efeitos adversos sistêmicos e não previne exacerbações de forma sustentada.
A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é uma condição progressiva e debilitante, com exacerbações agudas que representam um desafio clínico significativo. Pacientes idosos com história de internações prévias por exacerbação, como o caso descrito, indicam uma doença mais avançada e a necessidade de um manejo cuidadoso. A classificação GOLD (Global Initiative for Chronic Obstructive Lung Disease) é fundamental para estadiar a doença e guiar o tratamento. As exacerbações de DPOC são frequentemente desencadeadas por infecções respiratórias. Mesmo na ausência de febre, a presença de dispneia progressiva, tosse e expectoração purulenta (amarelada) justifica o uso de antibióticos, conforme os critérios de Anthonisen. Corticosteroides sistêmicos (como a prednisona oral) são pilares no tratamento das exacerbações, mas seu uso deve ser limitado a cursos curtos (geralmente 5-14 dias) para minimizar os efeitos adversos. A ventilação não invasiva (VNI) é uma intervenção crucial em exacerbações graves com insuficiência respiratória hipercápnica, melhorando a troca gasosa e reduzindo a necessidade de intubação orotraqueal. O uso crônico e indeterminado de prednisona oral para DPOC estável é uma prática incorreta, pois os riscos superam os benefícios, sendo os corticosteroides inalatórios a forma preferencial de corticoterapia de manutenção para pacientes selecionados.
Antibióticos são indicados em exacerbações de DPOC se houver aumento de dispneia, volume e purulência do escarro (critérios de Anthonisen), ou se houver necessidade de ventilação mecânica.
A VNI é recomendada para pacientes com exacerbação grave de DPOC e insuficiência respiratória aguda hipercápnica (aumento da pCO2), pois melhora a troca gasosa e reduz a necessidade de intubação.
O uso prolongado de prednisona oral em DPOC estável não é recomendado devido aos múltiplos efeitos adversos sistêmicos, como osteoporose, diabetes, miopatia e supressão adrenal, sem benefício comprovado na prevenção de exacerbações a longo prazo.
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