UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2025
Homem de 60 anos refere febre, tosse e expectoração há 3 dias. AP: DPOC. EF: sonolento, desorientado em tempo e espaço, PA: 130 x 70 mmHg, FC: 108 bpm, FR: 6 irpm, SatO2: 99% em máscara não reinalante 15 L/min, ausculta respiratória com sibilos difusos, crepitação em base pulmonar direita. Gasometria arterial: pH: 7,18, pCO2: 100 mmHg, pO2: 140 mmHg, Bicarbonato: 16 mEq/L. Optado por colocar paciente em VNI com interface orofacia e os parâmetros EPAP: 5 mmHg, IPAP: 10 mmHg, relação I:E 1:3 e FiO2: 40%. Não houve adaptação inicial adequada e o paciente manteve bradipneia e rebaixamento do nível de consciência. Em relação a esse caso, é correto afirmar que:
Bradipneia + Rebaixamento + Falha de disparo na VNI → Modo controlado ou IOT.
Em pacientes com acidose grave, sonolência e bradipneia, o drive respiratório pode estar comprometido. Se a VNI for tentada, o modo deve ser controlado (disparo por tempo) para garantir a ventilação mínima.
A exacerbação da DPOC com acidose respiratória é uma das principais indicações de VNI, com alto nível de evidência para redução de mortalidade e necessidade de intubação. Contudo, o sucesso da técnica depende da seleção adequada do paciente e dos parâmetros. O gradiente entre IPAP (pressão inspiratória) e EPAP (pressão expiratória), conhecido como Pressure Support, é o que determina o volume corrente e a lavagem de CO2. Em casos de acidose hipercápnica severa com depressão do sensório, a estratégia de VNI deve ser agressiva e monitorada de perto; a ausência de melhora rápida (em 1-2 horas) ou a falha em disparar o ventilador exige a transição imediata para a ventilação mecânica invasiva para evitar a parada cardiorrespiratória.
O paciente apresenta sinais de gravidade extrema: pH 7,18, pCO2 de 100 mmHg e bradipneia (6 irpm). O rebaixamento do nível de consciência e a baixa frequência respiratória indicam que o drive respiratório central está deprimido ou que há exaustão muscular. No modo espontâneo (BIPAP), o aparelho depende do esforço do paciente para disparar o ciclo. Sem esse esforço, a ventilação alveolar não ocorre, agravando a hipercapnia.
O modo controlado é indicado quando o paciente não consegue manter um drive respiratório estável ou suficiente para disparar o ventilador. Nesse modo, o aparelho entrega ciclos respiratórios baseados em uma frequência respiratória pré-programada (disparo por tempo), garantindo uma ventilação minuto mínima mesmo em pacientes sonolentos ou bradipneicos.
As contraindicações clássicas incluem necessidade de intubação imediata (parada respiratória), instabilidade hemodinâmica grave, arritmias instáveis, incapacidade de proteger via aérea (risco de aspiração), obstrução de via aérea superior, cirurgia facial ou esofágica recente e agitação psicomotora incontrolável. No caso descrito, a acidose grave e o rebaixamento são sinais de alerta que frequentemente evoluem para intubação orotraqueal.
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