Manejo Agudo da Exacerbação de DPOC: Conduta Inicial

PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2025

Enunciado

Um paciente de 68 anos, com diagnóstico prévio de DPOC grave, chega ao Pronto Atendimento com queixas de piora da dispneia, aumento da sibilância e alteração no aspecto do escarro, que agora está mais purulento. Ele relata tosse produtiva há três dias e nega febre. O paciente apresenta saturação de oxigênio em ar ambiente de 84%. Ao exame físico, observa-se uso de musculatura acessória e ausculta pulmonar com roncos e sibilos difusos. Ele está consciente e orientado, mas dispneico.Qual é a conduta medicamentosa inicial mais adequada para este paciente?

Alternativas

  1. A) Prescrever broncodilatadores de longa duração (LABA) combinados com corticosteroide inalatório em alta dose.
  2. B) Administrar apenas corticosteroides sistêmicos, sem necessidade inicial de broncodilatadores.
  3. C) Iniciar antibióticos empíricos e corticosteroides orais, sem necessidade de broncodilatadores de curta duração.
  4. D) Iniciar broncodilatadores de curta duração (SABA) por nebulização e associar corticosteroides sistêmicos.
  5. E) Iniciar hidratação intravenosa e corticosteroides inalados, adiando a introdução de broncodilatadores até a estabilização clínica.

Pérola Clínica

Exacerbação de DPOC → SABA/SAMA + Corticoide Sistêmico +/- Antibiótico (se escarro purulento/dispneia ↑).

Resumo-Chave

O tratamento inicial da exacerbação foca na reversão da obstrução aguda com broncodilatadores de curta ação e redução da inflamação sistêmica com corticoides.

Contexto Educacional

A exacerbação da Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é definida como um agravamento agudo dos sintomas respiratórios que resulta em terapia adicional. O manejo hospitalar baseia-se na otimização da broncodilatação, utilizando preferencialmente beta-2 agonistas de curta duração (SABA) associados ou não a anticolinérgicos (SAMA). A corticoterapia sistêmica acelera a recuperação da função pulmonar (VEF1) e reduz o risco de falha terapêutica. Pacientes com sinais de gravidade, como uso de musculatura acessória e hipoxemia significativa (SatO2 < 90%), devem ser monitorados para necessidade de Ventilação Não Invasiva (VNI), que comprovadamente reduz a mortalidade e a necessidade de intubação. A purulência do escarro é um marcador clínico forte para infecção bacteriana, justificando a introdução de antibioticoterapia empírica direcionada aos patógenos mais comuns.

Perguntas Frequentes

Quais os critérios para iniciar antibiótico na DPOC?

Segundo os critérios de Anthonisen, o antibiótico está indicado se houver aumento da dispneia, aumento do volume do escarro e aumento da purulência (pelo menos dois, sendo um deles a purulência), ou se o paciente necessitar de suporte ventilatório (VNI ou invasiva).

Qual a via preferencial para corticoides na exacerbação?

A via oral é preferível por ser tão eficaz quanto a intravenosa em pacientes com trato gastrointestinal íntegro, apresentando menor tempo de internação e menos efeitos adversos. A dose recomendada pelo GOLD é de 40mg de prednisona por 5 dias.

Qual o alvo de saturação de O2 na exacerbação de DPOC?

O alvo deve ser entre 88% e 92% para evitar a hipercapnia induzida pelo oxigênio, que ocorre devido ao efeito Haldane, redistribuição da ventilação-perfusão e redução do drive respiratório em retentores crônicos de CO2.

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