PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2025
Um paciente de 68 anos, com diagnóstico prévio de DPOC grave, chega ao Pronto Atendimento com queixas de piora da dispneia, aumento da sibilância e alteração no aspecto do escarro, que agora está mais purulento. Ele relata tosse produtiva há três dias e nega febre. O paciente apresenta saturação de oxigênio em ar ambiente de 84%. Ao exame físico, observa-se uso de musculatura acessória e ausculta pulmonar com roncos e sibilos difusos. Ele está consciente e orientado, mas dispneico.Qual é a conduta medicamentosa inicial mais adequada para este paciente?
Exacerbação de DPOC → SABA/SAMA + Corticoide Sistêmico +/- Antibiótico (se escarro purulento/dispneia ↑).
O tratamento inicial da exacerbação foca na reversão da obstrução aguda com broncodilatadores de curta ação e redução da inflamação sistêmica com corticoides.
A exacerbação da Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é definida como um agravamento agudo dos sintomas respiratórios que resulta em terapia adicional. O manejo hospitalar baseia-se na otimização da broncodilatação, utilizando preferencialmente beta-2 agonistas de curta duração (SABA) associados ou não a anticolinérgicos (SAMA). A corticoterapia sistêmica acelera a recuperação da função pulmonar (VEF1) e reduz o risco de falha terapêutica. Pacientes com sinais de gravidade, como uso de musculatura acessória e hipoxemia significativa (SatO2 < 90%), devem ser monitorados para necessidade de Ventilação Não Invasiva (VNI), que comprovadamente reduz a mortalidade e a necessidade de intubação. A purulência do escarro é um marcador clínico forte para infecção bacteriana, justificando a introdução de antibioticoterapia empírica direcionada aos patógenos mais comuns.
Segundo os critérios de Anthonisen, o antibiótico está indicado se houver aumento da dispneia, aumento do volume do escarro e aumento da purulência (pelo menos dois, sendo um deles a purulência), ou se o paciente necessitar de suporte ventilatório (VNI ou invasiva).
A via oral é preferível por ser tão eficaz quanto a intravenosa em pacientes com trato gastrointestinal íntegro, apresentando menor tempo de internação e menos efeitos adversos. A dose recomendada pelo GOLD é de 40mg de prednisona por 5 dias.
O alvo deve ser entre 88% e 92% para evitar a hipercapnia induzida pelo oxigênio, que ocorre devido ao efeito Haldane, redistribuição da ventilação-perfusão e redução do drive respiratório em retentores crônicos de CO2.
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