UEL - Hospital Universitário de Londrina (PR) — Prova 2021
Paciente de 72 anos, tabagista há 50 anos, 2 maços/dia, deu entrada no pronto-socorro com queixa de piora da dispneia. Apresentava-se em regular estado geral, confuso e agitado, taquipneico, saturação de O₂ de 86% em ar ambiente, apresentava roncos e sibilos difusos. Foram iniciadas medidas broncodilatadoras. Sobre a oxigenioterapia e as estratégias de ventilação, assinale a alternativa que apresenta, corretamente, a conduta mais adequada para esse caso
DPOC exacerbado com confusão, agitação, taquipneia e hipoxemia grave (SpO2 86%) → considerar ventilação invasiva por insuficiência respiratória iminente/estabelecida.
Em pacientes com DPOC exacerbado, a presença de confusão, agitação, taquipneia e hipoxemia grave (SpO2 86% em ar ambiente) são sinais de insuficiência respiratória aguda grave, provavelmente hipercápnica. Embora a ventilação não invasiva seja a primeira linha em muitos casos de exacerbação de DPOC, a deterioração neurológica e a hipoxemia profunda podem indicar a necessidade de ventilação invasiva imediata para proteger a via aérea e garantir a ventilação adequada.
A exacerbação da Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é uma causa comum de internação hospitalar e pode levar à insuficiência respiratória aguda. O manejo inicial envolve broncodilatadores, corticosteroides sistêmicos e oxigenioterapia. No entanto, em casos graves, a ventilação mecânica se torna necessária. A escolha entre ventilação não invasiva (VNI) e invasiva (VMI) é crucial e depende da gravidade do quadro clínico do paciente. Pacientes com exacerbação de DPOC frequentemente desenvolvem insuficiência respiratória hipercápnica. A VNI é geralmente a primeira opção para esses pacientes, pois pode melhorar a troca gasosa, reduzir o trabalho respiratório e diminuir a necessidade de intubação e a mortalidade. No entanto, a VNI tem suas limitações. Sinais de gravidade como confusão, agitação, sonolência, instabilidade hemodinâmica, hipoxemia grave e refratária (SpO2 86% em ar ambiente, como no caso), ou acidose respiratória progressiva, indicam falha da VNI ou a necessidade de VMI imediata. No cenário descrito, o paciente apresenta confusão, agitação, taquipneia e hipoxemia grave, sugerindo uma insuficiência respiratória aguda grave com comprometimento do nível de consciência. Nessas condições, a capacidade do paciente de cooperar com a VNI é limitada, e o risco de aspiração ou de falha da VNI é alto. Portanto, a ventilação invasiva é a conduta mais adequada para garantir a proteção da via aérea, a ventilação e oxigenação adequadas, e permitir o tratamento da causa subjacente da exacerbação.
Sinais de insuficiência respiratória aguda grave incluem dispneia intensa, taquipneia (>25-30 irpm), uso de musculatura acessória, confusão mental, agitação, sonolência, hipoxemia grave (SpO2 < 90% apesar de oxigenioterapia) e acidose respiratória (pH < 7,35 com PaCO2 elevada).
A VNI é a primeira linha para muitos pacientes com exacerbação de DPOC e insuficiência respiratória hipercápnica, melhorando a troca gasosa e evitando a intubação. Suas limitações incluem falha em pacientes com rebaixamento do nível de consciência, instabilidade hemodinâmica, incapacidade de proteger a via aérea, vômitos persistentes ou hipoxemia refratária.
Os critérios incluem parada respiratória iminente, rebaixamento grave do nível de consciência (coma, sonolência profunda), instabilidade hemodinâmica (choque), arritmias graves, hipoxemia refratária à VNI, acidose respiratória grave e progressiva (pH < 7,25), falha da VNI após 1-2 horas, ou incapacidade de proteger a via aérea.
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