DPOC Exacerbado Grave: Quando Indicar Ventilação Invasiva

UEL - Hospital Universitário de Londrina (PR) — Prova 2021

Enunciado

Paciente de 72 anos, tabagista há 50 anos, 2 maços/dia, deu entrada no pronto-socorro com queixa de piora da dispneia. Apresentava-se em regular estado geral, confuso e agitado, taquipneico, saturação de O₂ de 86% em ar ambiente, apresentava roncos e sibilos difusos. Foram iniciadas medidas broncodilatadoras. Sobre a oxigenioterapia e as estratégias de ventilação, assinale a alternativa que apresenta, corretamente, a conduta mais adequada para esse caso

Alternativas

  1. A) Iniciar cateter de O₂ 3L/min e titular até 50% O₂ > 92%. 
  2. B) Iniciar ventilação não invasiva.
  3. C) Iniciar suplemetaçao de O₂ com máscara com reservatório até elevar a saturação para 92%.
  4. D) Iniciar máscara de Venturi e titular saturação de O₂ até 92%.
  5. E) Proceder à ventilação invasiva.

Pérola Clínica

DPOC exacerbado com confusão, agitação, taquipneia e hipoxemia grave (SpO2 86%) → considerar ventilação invasiva por insuficiência respiratória iminente/estabelecida.

Resumo-Chave

Em pacientes com DPOC exacerbado, a presença de confusão, agitação, taquipneia e hipoxemia grave (SpO2 86% em ar ambiente) são sinais de insuficiência respiratória aguda grave, provavelmente hipercápnica. Embora a ventilação não invasiva seja a primeira linha em muitos casos de exacerbação de DPOC, a deterioração neurológica e a hipoxemia profunda podem indicar a necessidade de ventilação invasiva imediata para proteger a via aérea e garantir a ventilação adequada.

Contexto Educacional

A exacerbação da Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é uma causa comum de internação hospitalar e pode levar à insuficiência respiratória aguda. O manejo inicial envolve broncodilatadores, corticosteroides sistêmicos e oxigenioterapia. No entanto, em casos graves, a ventilação mecânica se torna necessária. A escolha entre ventilação não invasiva (VNI) e invasiva (VMI) é crucial e depende da gravidade do quadro clínico do paciente. Pacientes com exacerbação de DPOC frequentemente desenvolvem insuficiência respiratória hipercápnica. A VNI é geralmente a primeira opção para esses pacientes, pois pode melhorar a troca gasosa, reduzir o trabalho respiratório e diminuir a necessidade de intubação e a mortalidade. No entanto, a VNI tem suas limitações. Sinais de gravidade como confusão, agitação, sonolência, instabilidade hemodinâmica, hipoxemia grave e refratária (SpO2 86% em ar ambiente, como no caso), ou acidose respiratória progressiva, indicam falha da VNI ou a necessidade de VMI imediata. No cenário descrito, o paciente apresenta confusão, agitação, taquipneia e hipoxemia grave, sugerindo uma insuficiência respiratória aguda grave com comprometimento do nível de consciência. Nessas condições, a capacidade do paciente de cooperar com a VNI é limitada, e o risco de aspiração ou de falha da VNI é alto. Portanto, a ventilação invasiva é a conduta mais adequada para garantir a proteção da via aérea, a ventilação e oxigenação adequadas, e permitir o tratamento da causa subjacente da exacerbação.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de insuficiência respiratória aguda grave em um paciente com DPOC exacerbado?

Sinais de insuficiência respiratória aguda grave incluem dispneia intensa, taquipneia (>25-30 irpm), uso de musculatura acessória, confusão mental, agitação, sonolência, hipoxemia grave (SpO2 < 90% apesar de oxigenioterapia) e acidose respiratória (pH < 7,35 com PaCO2 elevada).

Quando a ventilação não invasiva (VNI) é indicada e quais são suas limitações na exacerbação de DPOC?

A VNI é a primeira linha para muitos pacientes com exacerbação de DPOC e insuficiência respiratória hipercápnica, melhorando a troca gasosa e evitando a intubação. Suas limitações incluem falha em pacientes com rebaixamento do nível de consciência, instabilidade hemodinâmica, incapacidade de proteger a via aérea, vômitos persistentes ou hipoxemia refratária.

Quais são os principais critérios para indicar ventilação invasiva em um paciente com DPOC exacerbado?

Os critérios incluem parada respiratória iminente, rebaixamento grave do nível de consciência (coma, sonolência profunda), instabilidade hemodinâmica (choque), arritmias graves, hipoxemia refratária à VNI, acidose respiratória grave e progressiva (pH < 7,25), falha da VNI após 1-2 horas, ou incapacidade de proteger a via aérea.

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