Exacerbação Aguda da DPOC: Manejo Essencial no Pronto Socorro

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2020

Enunciado

Homem, 64a, comparece ao Pronto Socorro com dificuldade respiratória há 2 dias acompanhada de tosse seca, nega febre ou edema de membros. Antecedente pessoal: tabagismo 30 maços/ano, parou de fumar há 2 anos, diagnóstico de doença pulmonar obstrutiva crônica há 6 meses e iniciou uso inalatório de formoterol e brometro de tiotrópio. Exame físico: agitado, FR=26 irpm, oximetria de pulso (ar ambiente)= 86%; cianose de extremidades, pulmões: redução global do murmúrio vesicular, com raros sibilos. A CONDUTA É:

Alternativas

  1. A) Gasometria arterial, radiograma de tórax, hemograma, oxigenioterapia, corticosteroidesistêmico e broncodilatadores.
  2. B) Angiotomografia de tórax, eletrocardiograma, oxigenoterapia e anticoagulação plena.
  3. C) Espirometria, radiograma de tórax, hemograma, corticosteroide inalatório, broncodilatadores e antibioticoterapia.
  4. D) Broncoscopia para coleta de lavado brônquico, antibioticoterapia, corticosteroide inalatório e broncodilatadores.

Pérola Clínica

Exacerbação DPOC grave (hipoxemia, cianose): O2, broncodilatadores, corticoide sistêmico + exames (gaso, RX, hemograma).

Resumo-Chave

O paciente apresenta exacerbação grave da DPOC, evidenciada por dispneia, hipoxemia (SatO2 86% em ar ambiente), cianose e sinais de esforço respiratório. A conduta inicial inclui suporte ventilatório (oxigenioterapia), broncodilatadores e corticosteroides sistêmicos, além de exames para avaliar a gravidade e descartar outras causas.

Contexto Educacional

A doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) é uma condição progressiva e debilitante, e suas exacerbações agudas representam um desafio clínico significativo, sendo uma das principais causas de hospitalização e mortalidade. Uma exacerbação é definida como um evento agudo caracterizado por piora dos sintomas respiratórios que vai além da variação diária e leva a uma mudança na medicação. O paciente do caso apresenta sinais de exacerbação grave da DPOC: dispneia intensa, agitação, taquipneia, hipoxemia grave (SatO₂ de 86% em ar ambiente) e cianose. A conduta inicial no pronto-socorro deve ser rápida e abrangente. A oxigenioterapia é primordial para corrigir a hipoxemia, com alvo de saturação entre 88-92% para evitar hipercapnia. Broncodilatadores de curta ação (beta-2 agonistas e anticolinérgicos) devem ser administrados para aliviar o broncoespasmo. Corticosteroides sistêmicos (orais ou intravenosos) são fundamentais para reduzir a inflamação das vias aéreas e melhorar a função pulmonar. Exames complementares como gasometria arterial são cruciais para avaliar a gravidade da insuficiência respiratória e o equilíbrio ácido-base. A radiografia de tórax ajuda a descartar outras causas da dispneia, como pneumonia ou pneumotórax. O hemograma pode indicar infecção bacteriana, embora a antibioticoterapia não seja universalmente indicada em todas as exacerbações, sendo reservada para casos com sinais de infecção bacteriana.

Perguntas Frequentes

Quais são os pilares do tratamento inicial de uma exacerbação grave da DPOC?

Os pilares incluem oxigenioterapia para corrigir a hipoxemia, broncodilatadores de curta ação (beta-2 agonistas e anticolinérgicos) e corticosteroides sistêmicos para reduzir a inflamação das vias aéreas.

Por que a gasometria arterial é fundamental na exacerbação da DPOC?

A gasometria arterial é essencial para avaliar a gravidade da hipoxemia e hipercapnia, o equilíbrio ácido-base e guiar a oxigenioterapia, permitindo ajustes para manter a saturação alvo (geralmente 88-92%) sem induzir hipercapnia significativa.

Quando considerar a antibioticoterapia em uma exacerbação da DPOC?

A antibioticoterapia é indicada se houver três sinais cardinais (aumento da dispneia, aumento do volume do escarro, aumento da purulência do escarro) ou dois sinais cardinais, sendo um deles a purulência do escarro, ou necessidade de ventilação mecânica.

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