USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2025
Homem, 63 anos de idade, procura atendimento ambulatorial por dispneia. Ele não tem antecedentes relevantes, mas conta que, há 8 meses, começou a apresentar dispneia aos grandes esforços, mas conseguia realizar atividades habituais. Há 2 meses, começou a interromper sua caminhada diária até a padaria por dispneia e tosse. Há 1 mês, teve crise de dispneia e tosse produtiva, quando ficou internado por 4 dias no pronto-socorro. Ele é tabagista com carga de 46 anos-maço. Ao exame clínico, apresentou sinais vitais normais e sibilos expiratórios difusos, sem sinais de desconforto respiratório e sem outras anormalidades. Os dados da prova de função pulmonar estão apresentados a seguir:O hemograma identificou 320 eosinófilos/mm³, IgE 35 UI/mL (valor de referência < 100 UI/mL).O paciente não teve acesso aos medicamentos e, no mês seguinte, procurou o pronto-socorro com queixa de tosse produtiva, expectoração amarelada e febre de 37,9 °C. Ao exame clínico, apresentou-se em regular estado geral, corado, hidratado, dispneia com aumento do tempo expiratório. FC de 102 bpm, PA de 134x78 mmHg, FR de 23 ipm, saturação de oxigênio 91%; ausculta torácica com murmúrios vesiculares reduzidos com roncos difusos, sem sinais de esforço respiratório ou fadiga; ausculta cardíaca e abdome sem alterações. Foi coletada uma gasometria arterial com os seguintes resultados: pH: 7,26; HCO₃⁻: 27 mEq/L; pCO₂: 61 mmHg; PaO₂: 59,8 mmHg; Sat. O₂: 91%. Optou-se por acoplar o paciente em um dispositivo ventilatório apropriado ao seu manejo clínico neste momento. Assinale a alternativa que contempla os parâmetros que devem ser utilizados para ventilação com este dispositivo.
DPOC exacerbado + Acidose respiratória (pH < 7.35) → VNI é o tratamento de escolha (nível de evidência A).
A VNI reduz o trabalho respiratório, melhora a troca gasosa e diminui a taxa de intubação e mortalidade em pacientes com DPOC e acidose hipercápnica moderada.
A exacerbação da Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é caracterizada pelo aumento da dispneia, tosse e expectoração. A fisiopatologia envolve limitação ao fluxo aéreo, hiperinsuflação dinâmica e desequilíbrio V/Q, levando à falência respiratória hipercápnica. A Ventilação Não Invasiva (VNI) com dois níveis de pressão (BiPAP) é a intervenção padrão-ouro para casos com acidose respiratória. Ela atua fornecendo uma pressão inspiratória (IPAP) que auxilia na ventilação alveolar e redução da PaCO2, e uma pressão expiratória (EPAP) que ajuda a recrutar alvéolos e contrabalançar a PEEP intrínseca (auto-PEEP). O sucesso da terapia é avaliado pela melhora clínica e gasométrica em 1-2 horas.
As indicações incluem dispneia moderada a grave com uso de musculatura acessória, frequência respiratória > 25 ipm e, fundamentalmente, acidose respiratória (pH < 7,35 e PaCO2 > 45 mmHg).
Inicia-se geralmente com EPAP de 4-6 cmH2O e IPAP de 10-12 cmH2O (pressão de suporte de 6-8). O objetivo é atingir um volume corrente de 6-8 mL/kg e melhora do padrão respiratório, titulando conforme tolerância.
O alvo deve ser mantido entre 88% e 92%. Ofertar oxigênio em excesso (FiO2 alta) pode piorar a acidose hipercápnica por abolir o drive respiratório hipóxico e alterar a relação ventilação-perfusão.
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