SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2025
Homem, 70 anos de idade, tabagista ativo com histórico de 50 anos-maço, é admitido no ProntoSocorro com queixa de dispneia progressiva e tosse produtiva com expectoração purulenta há 3 dias. O paciente apresenta-se com cianose e uso de musculatura acessória. Ao exame físico, murmúrios vesiculares globalmente diminuídos, presença de sibilos difusos e FR: 35 irpm. Gasometria arterial: pH ,25; PaCO2: 70 mHg; PaO2: 50 mmHg; HCO3: 30 mEq/L. SatO2 ar ambiente de 80%. Histórico de internações prévias por problemas respiratórios. Diante do quadro, a conduta farmacológica mais adequada, no momento, envolve:
DPOC exacerbado + VNI → Preferir MDI com espaçador + Corticoide sistêmico.
Na exacerbação grave de DPOC, o uso de inaladores dosimetrados (MDI) acoplados à VNI é preferível à nebulização convencional, associado obrigatoriamente ao corticoide sistêmico para reduzir inflamação e tempo de internação.
O manejo da exacerbação do DPOC exige uma abordagem multimodal. A fisiopatologia envolve um aumento súbito da resistência das vias aéreas e hiperinsuflação dinâmica, levando à falência da bomba ventilatória. A gasometria arterial com pH 7,25 e PaCO2 de 70 mmHg confirma uma acidose respiratória descompensada, indicação clássica de suporte ventilatório. As diretrizes GOLD e brasileiras enfatizam que a administração de broncodilatadores de curta ação (beta-2 agonistas e anticolinérgicos) deve ser otimizada. O uso de espaçadores em circuitos de ventilação é uma prática segura e eficaz. Além disso, a antibioticoterapia deve ser considerada quando há purulência do escarro, como no caso clínico apresentado, para cobrir patógenos comuns como H. influenzae e S. pneumoniae.
O uso de inaladores dosimetrados (MDI) com câmara espaçadora adaptada ao circuito da Ventilação Não Invasiva (VNI) é recomendado porque garante uma entrega de medicação mais estável, reduz o risco de aerolização de patógenos no ambiente hospitalar e evita a interrupção da pressão positiva necessária para o tratamento da insuficiência respiratória hipercápnica, comum em pacientes com DPOC exacerbado.
O corticoide sistêmico (oral ou intravenoso) é fundamental no tratamento da exacerbação do DPOC. Ele atua reduzindo a inflamação brônquica, melhorando a função pulmonar (VEF1), diminuindo o tempo de hospitalização e reduzindo o risco de falha terapêutica e recaídas precoces. A via sistêmica é preferida em quadros graves devido à maior biodisponibilidade em pacientes com alta demanda respiratória.
A VNI está indicada na exacerbação do DPOC quando há acidose respiratória (pH < 7,35) e/ou hipercapnia (PaCO2 > 45 mmHg), além de sinais de desconforto respiratório moderado a grave, como uso de musculatura acessória ou frequência respiratória elevada. Ela reduz a necessidade de intubação orotraqueal e a mortalidade hospitalar.
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