UNITAU - Universidade de Taubaté (SP) — Prova 2025
A Srª J.M.V., 80 anos, tabagista ativa (40 anos-maço), foi à Unidade Básica de Saúde buscando atendimento médico em decorrência de quadro de tosse produtiva com secreção amarelada, dispneia em repouso e chieira torácica iniciada há 4 dias. Apresentou quadro semelhante há cerca de 30 dias e fez uso de antibiótico, mas não se recorda do nome. Refere quadro crônico de tosse seca e dispneia aos esforços, mas com piora significativa desde o início do quadro atual. Ao exame físico encontrava-se consciente e orientada, em bom estado geral, eupneica, acianótica, afebril, corada, hidratada; FR 24 irpm; FC 96 bpm; PA 140x95 mmHg; SatO2 93% em ar ambiente; MV reduzido difusamente, com sibilos bilaterais. Qual o diagnóstico e a conduta mais adequada?
DPOC exacerbado ambulatorial → ATB (quinolona/macrolídeo) + corticoide oral + broncodilatador.
A exacerbação da DPOC em pacientes com fatores de risco para falha de tratamento ou infecção por Pseudomonas, mas sem critérios de hospitalização, pode ser tratada ambulatorialmente. A escolha do antibiótico deve cobrir patógenos comuns, e a prednisona oral e broncodilatadores são essenciais para reduzir a inflamação e melhorar a função pulmonar.
A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é uma condição respiratória progressiva e debilitante, frequentemente associada ao tabagismo, que se manifesta por limitação crônica do fluxo aéreo. As exacerbações agudas da DPOC representam um agravamento dos sintomas respiratórios e são uma causa comum de morbidade e mortalidade, impactando significativamente a qualidade de vida dos pacientes e os custos de saúde. O reconhecimento precoce e o manejo adequado são cruciais para evitar desfechos adversos. O diagnóstico de uma exacerbação baseia-se na piora da dispneia, tosse e/ou produção de escarro, muitas vezes acompanhada de alterações na cor do escarro. A avaliação da gravidade é fundamental para decidir entre tratamento ambulatorial ou hospitalar. Fatores como idade avançada, comorbidades, uso prévio de antibióticos e gravidade da DPOC basal influenciam a escolha do antibiótico e a duração do tratamento. A paciente do caso, com 80 anos e tabagista, apresenta um quadro clássico de exacerbação, com sinais de infecção e hipoxemia leve. O tratamento ambulatorial da exacerbação da DPOC geralmente envolve a otimização da broncodilatação com agentes de curta ação, um curso de corticosteroides sistêmicos (como prednisona) para reduzir a inflamação e, se houver evidência de infecção bacteriana, antibioticoterapia. A escolha do antibiótico deve considerar o perfil de resistência local e os fatores de risco do paciente. Levofloxacino é uma opção eficaz para pacientes com fatores de risco para falha de tratamento ou infecção por bactérias resistentes, como a paciente idosa com histórico de uso recente de antibióticos.
Uma exacerbação da DPOC é caracterizada por um agravamento agudo dos sintomas respiratórios (dispneia, tosse, produção de escarro) que vai além das variações diárias e requer uma mudança na medicação habitual. A presença de escarro purulento e aumento da dispneia são fortes indicadores de exacerbação bacteriana.
O tratamento pode ser ambulatorial quando o paciente não apresenta critérios de gravidade como insuficiência respiratória aguda, instabilidade hemodinâmica, comorbidades descompensadas, falha do tratamento inicial ou incapacidade de autocuidado. A saturação de oxigênio > 90% em ar ambiente é um bom indicador.
A conduta inclui broncodilatadores de curta ação (beta-2 agonistas e/ou anticolinérgicos), corticosteroides orais (ex: prednisona 40mg/dia por 5 dias) e, se houver sinais de infecção bacteriana (aumento da dispneia, volume e purulência do escarro), um antibiótico (ex: levofloxacino ou azitromicina) por 5-7 dias.
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