HAC - Hospital Angelina Caron (PR) — Prova 2015
Você está de plantão no pronto-socorro de um hospital e atende uma criança de 7 anos com queixa de crises de tosse e falta de ar, com início há 8 horas. Mãe refere uso contínuo de Beclometasona spray 500mcg/dia há 2 meses. Ao exame físico apresenta-se com frequência cardíaca 126 bpm, frequência respiratória 38 ipm, saturação de O2 medida por oxímetro de pulso 93%, temperatura axilar 36,9 °C, ausculta pulmonar com sibilos difusos, tiragem subcostal e intercostal. Das opções, qual a conduta inicial mais adequada?
Crise de asma com SatO2 < 94% + Tiragens → O2 + β2-agonista + Corticoide sistêmico precoce.
O manejo da exacerbação asmática foca na reversão rápida da obstrução brônquica com broncodilatadores e na redução da inflamação com corticoides sistêmicos, garantindo oxigenação adequada acima de 94%.
A asma é a doença crônica mais comum na infância. Uma exacerbação é caracterizada por um aumento progressivo dos sintomas de falta de ar, tosse, sibilância ou aperto no peito. A avaliação da gravidade baseia-se em sinais clínicos (frequência respiratória, uso de musculatura acessória, fala) e oximetria de pulso. No caso apresentado, a criança apresenta sinais de crise moderada a grave (SatO2 93%, tiragens sub e intercostais, taquipneia). A conduta imediata deve contemplar a tríade: oxigênio para corrigir a hipoxemia, broncodilatador de curta duração para reverter o broncoespasmo agudo e corticoide sistêmico para tratar a inflamação subjacente. O uso prévio de corticoide inalatório (Beclometasona) indica que a asma da criança pode não estar controlada, necessitando de reavaliação do tratamento de manutenção após a estabilização da crise.
A oxigenoterapia está indicada sempre que a saturação de oxigênio (SatO2) estiver abaixo de 94% em ar ambiente. O objetivo é manter a SatO2 entre 94-98% em crianças, utilizando cateter nasal ou máscara, para prevenir a hipóxia tecidual decorrente do desequilíbrio ventilação-perfusão causado pela bronconstrição.
O corticoide sistêmico (oral ou IV) deve ser administrado na primeira hora de atendimento em crises moderadas a graves. Ele reduz a inflamação das vias aéreas, diminui a necessidade de hospitalização e previne recidivas. A via oral é tão eficaz quanto a intravenosa na maioria das crises, sendo preferida pela facilidade de administração.
Na fase inicial de resgate, o beta-2 agonista de curta duração (ex: Salbutamol) deve ser administrado a cada 20 minutos na primeira hora (total de 3 doses). Pode ser feito via nebulização ou spray com espaçador, sendo este último preferível por apresentar menor incidência de efeitos colaterais e eficácia equivalente.
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