Manejo da Crise de Asma Grave em Pediatria

SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2025

Enunciado

Menina de 10 anos de idade chega à Unidade de Pronto Atendimento acompanhada por sua mãe, apresentando dificuldade intensa para respirar, chiado no peito e sensação de aperto torácico, que piorou nas últimas 48 horas. Desde os 4 anos de idade, houve múltiplas internações por quadros semelhantes. Nos últimos meses, tem apresentado sintomas quase que diariamente, e despertares noturnos frequentes. Tem usado corticosteroide inalatório regularmente, além de medicamentos de resgate. Está ansiosa porque tem sido necessário se afastar de atividades físicas na escola, devido à falta de ar. Ao exame físico, observa-se desconforto respiratório, com FR: 40ipm, SatO2: 88% em ar ambiente, Temp: 36,6o C; sibilos difusos à ausculta pulmonar e uso de musculatura acessória para respirar.Além de oxigenoterapia, o tratamento farmacológico de primeira linha, no momento, para o caso descrito:

Alternativas

  1. A) Broncodilatador via endovenosa e corticosteroides inalatórios.
  2. B) Broncodilatador e corticosteroides inalatórios.
  3. C) Broncodilatador e corticosteroides inalatórios e antibioticoterapia empírica.
  4. D) Broncodilatador inalatório, corticosteroide sistêmico.

Pérola Clínica

Crise de asma grave → SABA inalatório + Corticoide sistêmico precoce + O2 para SatO2 94-98%.

Resumo-Chave

Na exacerbação grave de asma, o tratamento de primeira linha combina a reversão rápida do broncoespasmo com beta-2-agonistas e o controle da inflamação com corticosteroides sistêmicos.

Contexto Educacional

A asma é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas caracterizada por hiperresponsividade brônquica e obstrução variável ao fluxo aéreo. Durante uma exacerbação, ocorre um agravamento agudo dos sintomas (dispneia, tosse, sibilância) devido ao broncoespasmo, edema de mucosa e hipersecreção de muco. O manejo clínico baseia-se na gravidade da apresentação. Em casos graves, como o descrito, a prioridade é a estabilização hemodinâmica e respiratória. O uso de beta-2-agonistas de curta ação (SABA) via inalatória promove broncodilatação rápida. A associação com corticosteroides sistêmicos é mandatória para tratar a base inflamatória da crise. A oxigenoterapia deve ser titulada para manter níveis seguros de saturação, evitando tanto a hipoxemia quanto a hiperóxia desnecessária.

Perguntas Frequentes

Quais os sinais de gravidade na crise de asma pediátrica?

Os sinais de gravidade incluem a incapacidade de falar frases completas, uso de musculatura acessória (tiragem subcostal, fúrcula), sibilância intensa ou tórax silencioso, cianose, e saturação de oxigênio abaixo de 92%. A frequência respiratória elevada (taquipneia) e a frequência cardíaca aumentada (taquicardia) também são indicadores críticos. Na avaliação inicial, o escore clínico (como o PRAM ou Wood-Downes) ajuda a categorizar a crise em leve, moderada ou grave, direcionando a agressividade do tratamento. Crises graves requerem intervenção imediata com oxigenoterapia para manter SatO2 >94%, broncodilatadores de curta ação (SABA) frequentes e o uso precoce de corticosteroides sistêmicos para reduzir a inflamação das vias aéreas e prevenir a progressão para insuficiência respiratória.

Por que usar corticoide sistêmico em vez de inalatório na crise?

Embora o corticoide inalatório (CI) seja a base do tratamento de manutenção, na crise aguda, o corticoide sistêmico (oral ou venoso) é preferido por sua eficácia comprovada em reduzir a inflamação sistêmica das vias aéreas, diminuir a taxa de hospitalização e prevenir recidivas. O CI em doses muito altas pode ter algum efeito sinérgico, mas não substitui o papel fundamental do corticoide sistêmico no manejo da exacerbação moderada a grave. O início da ação do corticoide sistêmico ocorre em cerca de 4 a 6 horas, por isso sua administração deve ser o mais precoce possível no pronto atendimento.

Quando indicar sulfato de magnésio na asma aguda?

O sulfato de magnésio intravenoso é indicado como terapia adjuvante em pacientes com exacerbação de asma grave que não apresentam resposta satisfatória ao tratamento inicial com SABA, brometo de ipratrópio e corticosteroides sistêmicos na primeira hora. Ele atua promovendo o relaxamento da musculatura lisa brônquica através do bloqueio dos canais de cálcio. Sua administração pode evitar a necessidade de ventilação mecânica e reduzir as taxas de internação em UTI pediátrica, devendo ser considerado precocemente em casos de risco de falência respiratória iminente.

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