Crise de Asma na Pediatria: Conduta na Emergência

HPEV - Hospital Professor Edmundo Vasconcelos (SP) — Prova 2020

Enunciado

Menino, 4 anos de idade, trazido ao pronto-socorro por seu pai, com história há 3 dias de desconforto respiratório, com piora hoje. Nega febre, coriza, alterações gastrointestinais e lesões de pele. Refere que no último semestre é o quarto episódio de desconforto respiratório, sendo orientado a usar ""bombinha"" após o último, com boa resposta. Ao exame físico, paciente taquidispneico, descorado. A criança foi levada à sala de emergência e monitorizada, apresentando os seguintes sinais vitais: frequência cardíaca = 165 batimentos/minuto, saturação em ar ambiente 83%, PA: 89 x 57 mmHg, frequência respiratória = 54 incursões/minuto. Ausculta pulmonar com murmúrios vesiculares diminuídos, com sibilos esparsos, tiragem subdiafragmática e intercostal presentes. Ausculta cardíaca sem alterações além da taquicardia. Pulsos centrais e periféricos cheios, rítmicos e simétricos. Restante do exame clínico sem alterações. Qual deve ser a conduta imediata na sala de emergência após avaliação inicial?

Alternativas

  1. A) Ofertar oxigênio em alto fluxo, adrenalina inalatória e dexametasona intramuscular e observação clínica.
  2. B) Ofertar cateter de O₂ 2 L/min, acesso venoso periférico, antibioticoterapia sistêmica e coleta de exames para investigação infecciosa.
  3. C) Ofertar oxigênio em alto fluxo, adrenalina pura intramuscular, dexametasona sistêmica e expansão volêmica 10 mL/kg.
  4. D) Ofertar oxigênio em alto fluxo, corticoide sistêmico e beta agonista inalatório de curta ação.

Pérola Clínica

Crise de asma grave → O2 (alvo 94-98%) + Beta-2 agonista + Corticoide sistêmico imediato.

Resumo-Chave

A asma é a principal causa de sibilância recorrente na infância. Crises graves exigem oxigênio para hipoxemia e reversão rápida do broncoespasmo e inflamação.

Contexto Educacional

A asma brônquica é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas caracterizada por hiperresponsividade brônquica e limitação variável ao fluxo aéreo. Na pediatria, as exacerbações são frequentemente desencadeadas por infecções virais. O quadro clínico de taquidispneia, sibilância e uso de musculatura acessória, associado a episódios prévios responsivos a 'bombinha', direciona fortemente para o diagnóstico. O manejo na sala de emergência prioriza a estabilização da oxigenação e a redução da resistência das vias aéreas. O uso de beta-2 agonistas de curta ação (como o salbutamol) promove broncodilatação rápida, enquanto o corticoide sistêmico atua na fase tardia da inflamação. Em casos graves, o brometo de ipratrópio e o sulfato de magnésio podem ser associados.

Perguntas Frequentes

Quando indicar corticoide sistêmico na crise de asma?

O corticoide sistêmico (oral ou parenteral) deve ser administrado precocemente em todas as crises de asma moderadas a graves, ou naquelas leves que não respondem prontamente ao uso inicial de beta-2 agonista. Ele reduz a inflamação das vias aéreas, diminui a taxa de hospitalização e previne recaídas.

Qual o alvo de saturação de oxigênio na asma pediátrica?

Em crianças com exacerbação de asma, o oxigênio deve ser ofertado para manter uma saturação de pulso entre 94% e 98%. A hipoxemia (Sat < 92% em ar ambiente) é um sinal de gravidade e deve ser corrigida imediatamente com oxigênio suplementar via cateter nasal ou máscara.

Como diferenciar asma de outras causas de sibilância?

O diagnóstico de asma em crianças baseia-se na recorrência dos sintomas (tosse, sibilância, aperto no peito), na presença de gatilhos (infecções virais, alérgenos, exercício) e, crucialmente, na reversibilidade dos sintomas com o uso de broncodilatadores, como observado no histórico deste paciente.

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