Manejo da Crise de Asma no Pronto Atendimento

HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2026

Enunciado

Paciente do sexo feminino de 34 anos, portadora de asma e com história de episódios recorrentes de tosse não produtiva e cansaço aos esforços, fazendo uso de SABA inalatório, com melhora após 4 – 5 puffs, relata história de contato com perfume novo, evoluindo imediatamente com episódio de sibilos, aumento da intensidade da dispneia, fala com frases curtas e, na SatO₂ domiciliar, apresentação de 91% em ar ambiente, frequência cardíaca de 112 bpm, pressão arterial de 138x88 mmHg e frequência respiratória de 22 irpm. Quando da sua chegada ao pronto atendimento, a conduta inicial deve ser:

Alternativas

  1. A) B2 de curta duração inalatório repetido e corticoide sistêmico precoce.
  2. B) Antibiótico empírico de amplo espectro.
  3. C) Somente xantina endovenosa.
  4. D) Betabloqueador para controlar taquicardia.
  5. E) Heliox de rotina.

Pérola Clínica

Crise de asma → SABA (resgate) + Corticoide Sistêmico precoce (reduz internação/recaída).

Resumo-Chave

O tratamento inicial foca na reversão rápida da obstrução brônquica com broncodilatadores e no controle da inflamação aguda com corticoides para prevenir a progressão da crise.

Contexto Educacional

A exacerbação asmática é uma emergência médica comum caracterizada por um aumento progressivo dos sintomas de falta de ar, tosse, sibilância ou aperto no peito. A fisiopatologia envolve broncoespasmo agudo, edema da mucosa e formação de tampões de muco. O tratamento padrão-ouro, conforme as diretrizes do GINA (Global Initiative for Asthma), baseia-se na administração repetida de broncodilatadores de ação rápida (SABA) para aliviar a obstrução e na introdução precoce de corticosteroides para tratar a inflamação subjacente. No caso clínico apresentado, a paciente apresenta sinais de gravidade (fala com frases curtas, SatO2 de 91% e taquicardia), o que reforça a necessidade de intervenção imediata. O uso de oxigênio suplementar deve ser titulado para manter a saturação entre 93-95%. O sulfato de magnésio intravenoso pode ser considerado em casos graves que não respondem à terapia inicial. É fundamental evitar o uso de sedativos e betabloqueadores, que podem agravar o broncoespasmo.

Perguntas Frequentes

Quando indicar corticoide sistêmico na exacerbação de asma?

O corticoide sistêmico (oral ou intravenoso) deve ser administrado precocemente em quase todas as exacerbações de asma que chegam ao pronto atendimento, especialmente se o paciente não responder imediatamente ao beta-2 agonista inicial, se já estiver em uso de corticoide oral ou se a crise for classificada como moderada a grave. Sua ação principal é reduzir a inflamação das vias aéreas, diminuir o edema e a produção de muco, além de prevenir recaídas e reduzir a necessidade de hospitalização. O efeito clínico geralmente começa após 4 a 6 horas.

Qual a dose e via preferencial do beta-2 agonista na crise?

A via inalatória é preferencial devido à rapidez de ação e menores efeitos colaterais sistêmicos. Utiliza-se o SABA (ex: Salbutamol ou Fenoterol), preferencialmente via spray com espaçador ou nebulização. A dose inicial costuma ser de 4 a 10 puffs a cada 20 minutos na primeira hora. A resposta clínica (melhora da dispneia, SatO2 e pico de fluxo) dita a frequência das doses subsequentes. Em crises muito graves, a nebulização contínua pode ser considerada.

Como classificar a gravidade de uma crise de asma no PS?

A gravidade é avaliada por sinais clínicos e funcionais. Crises leves/moderadas permitem frases completas, SatO2 entre 90-95% e frequência cardíaca < 120 bpm. Crises graves apresentam fala fragmentada (frases curtas), uso de musculatura acessória, frequência respiratória > 30 irpm, FC > 120 bpm e SatO2 < 90%. Sinais de insuficiência respiratória iminente (tórax silencioso, cianose, bradicardia ou exaustão) indicam gravidade extrema e necessidade de suporte ventilatório imediato.

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