Manejo da Crise de Asma Grave: Conduta e Terapêutica

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2012

Enunciado

Uma mulher de 22 anos de idade procurou atendimento de urgência, apresentando falta de ar, chegando a ter dificuldade para completar frases. Informou a ocorrência de episódios prévios semelhantes. Ao exame: acianótica, padrão respiratório com uso da musculatura acessória, tiragem intercostal e supraesternal. Pressão arterial = 110 x 80 mmHg, frequência cardíaca = 115 bpm e frequência respiratória = 28 irpm; ausculta pulmonar com sibilos expiratórios difusos. A oximetria digital em ar ambiente evidenciou saturação de oxigênio (SaO2) = 91%. Foi administrado betaagonista inalatório e oxigênio por cateter nasal. Reavaliada após 30 minutos, a paciente apresentou melhora parcial do quadro: frequência respiratória = 24 irpm, SaO2 = 94%, frequência cardíaca = 110 bpm, ausculta pulmonar com sibilos expiratórios. Qual a conduta terapêutica mais adequada a ser tomada após essa reavaliação?

Alternativas

  1. A) Nebulização com beta-agonista – até 3 doses em uma hora, prednisolona oral e suspensão do oxigênio.
  2. B) Nebulização com beta-agonista e ipratrópio – 3 doses sequenciais, aminofilina venosa e manutenção do oxigênio.
  3. C) Beta-agonista em spray, com espaçador, até 3 doses em uma hora; hidrocortisona venosa e suspensão do oxigênio.
  4. D) Nebulização com beta-agonista e ipratrópio a cada 30 minutos, aminofilina venosa e manutenção do oxigênio.
  5. E) Associação de beta-agonista e ipratrópio em spray, com espaçador, a cada 30 minutos; prednisolona oral e manutenção do oxigênio.

Pérola Clínica

Crise de asma com resposta parcial → SABA + Ipratrópio + Corticoide Oral + Manter O2.

Resumo-Chave

Pacientes com exacerbação grave de asma e resposta parcial ao tratamento inicial devem receber terapia combinada (SABA + Ipratrópio) e corticoterapia sistêmica precoce para reduzir o risco de hospitalização e recorrência.

Contexto Educacional

O manejo da asma aguda baseia-se na gravidade da apresentação clínica e na resposta ao tratamento inicial. Segundo as diretrizes do GINA, a administração precoce de corticoides sistêmicos (dentro da primeira hora) é crucial para tratar a inflamação subjacente. Em pacientes com resposta parcial (persistência de sibilos, taquipneia ou necessidade de O2), a intensificação da terapia com doses repetidas de broncodilatadores e a associação de anticolinérgicos é mandatória. O uso de espaçadores é equivalente à nebulização em termos de eficácia, sendo muitas vezes preferível por reduzir a dispersão de aerossóis.

Perguntas Frequentes

Quando indicar ipratrópio na crise de asma?

O brometo de ipratrópio (anticolinérgico) está indicado em crises de asma moderadas a graves, associado ao beta-2 agonista de curta ação (SABA). Estudos mostram que a combinação reduz as taxas de hospitalização e melhora a função pulmonar mais rapidamente do que o SABA isolado.

Qual a via preferencial para o corticoide na asma?

A via oral (prednisolona) é preferencial por ser tão eficaz quanto a via intravenosa, ter absorção rápida e ser menos invasiva. A via intravenosa (hidrocortisona ou metilprednisolona) é reservada para pacientes em insuficiência respiratória iminente ou que não toleram a via oral.

Qual o alvo de saturação de oxigênio na asma?

O alvo de saturação de oxigênio (SaO2) em adultos deve ser mantido entre 93% e 95%. O oxigênio deve ser administrado para evitar hipoxemia, mas sem causar hiperóxia desnecessária.

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