Manejo da Crise de Asma Moderada na Emergência

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2016

Enunciado

Um homem com 20 anos de idade foi trazido ao Serviço de Emergência por amigos, após ter apresentado falta de ar intensa em uma festa. Durante o atendimento, o paciente referiu que, nos últimos 2 meses, tem apresentado sintomas diurnos similares 3 ou 4 vezes por semana, acordado à noite com dispneia 2 ou 3 vezes por semana e utilizado medicação de alívio para dispneia mais de 5 vezes por semana. Informou, ainda, que essa é a terceira vez que precisa procurar o Serviço de Emergência desde que começou a apresentar os sintomas. Ao dar entrada no Serviço de Emergência, o paciente apresentava dispneia moderada, com sibilos difusos; frequência respiratória = 30 irpm; frequência cardíaca = 130 bpm; pico de fluxo expiratório = 40% do previsto; saturação periférica de oxigênio de 91% em ar ambiente. Após a inalação de broncodilatador de curta de duração (3 doses, com 1 dose a cada 20 minutos), o paciente refere melhora da dispneia, contudo, apresenta sibilância leve; pico de fluxo expiratório = 60% do previsto; frequência respiratória = 25 irpm; frequência cardíaca = 110 bpm; saturação periférica de oxigênio de 93% em ar ambiente. A conduta indicada nesse caso é:

Alternativas

  1. A) Iniciar terbutalina por via subcutânea, aminofilina por via endovenosa e continuar a nebulização a cada 20 minutos.
  2. B) Adicionar prednisona por via oral, dose de 1-2 mg/kg/dia, e continuar a nebulização a cada 20 minutos, com reavaliação em 1 hora.
  3. C) Indicar internação hospitalar, adicionar prednisona por via oral, dose de 1-2 mg/kg/dia, e continuar a nebulização a cada 20 minutos.
  4. D) Aumentar o intervalo de nebulização para 2 horas e orientar alta com broncodilatador de longa duração de horário e de curta duração de demanda.

Pérola Clínica

Crise de asma moderada/grave → SABA + Corticoide sistêmico precoce + Reavaliação frequente.

Resumo-Chave

Pacientes com resposta incompleta ao broncodilatador inicial (PFE < 70%) devem receber corticoide sistêmico e permanecer em observação rigorosa.

Contexto Educacional

O manejo da exacerbação asmática na emergência baseia-se na gravidade da apresentação clínica e na resposta funcional ao tratamento inicial. O uso de oxigênio para manter saturação entre 93-95% e a administração repetida de beta-2 agonistas de curta duração (SABA) são os pilares iniciais. O brometo de ipratrópio pode ser adicionado em crises moderadas a graves para potencializar a broncodilatação. A introdução precoce de corticosteroides sistêmicos é crucial para reduzir a inflamação das vias aéreas, diminuir a taxa de hospitalização e prevenir recidivas. A via oral é tão eficaz quanto a intravenosa na maioria dos casos. A reavaliação contínua (clínica e funcional) determina se o paciente pode ser manejado em domicílio ou se necessita de internação hospitalar para vigilância e suporte adicional.

Perguntas Frequentes

Quando indicar corticoide sistêmico na crise de asma?

O corticoide sistêmico (oral ou IV) deve ser administrado precocemente em crises moderadas a graves, ou quando não há resposta imediata e completa ao uso de beta-2 agonistas de curta duração (SABA) nas primeiras doses.

Qual a importância do Pico de Fluxo Expiratório (PFE) na emergência?

O PFE é uma medida objetiva da obstrução das vias aéreas. Valores abaixo de 50% do previsto indicam crise grave, enquanto valores entre 50-80% indicam crise moderada. A resposta do PFE ao tratamento inicial é um forte preditor de necessidade de internação.

Quais os critérios para alta hospitalar após crise de asma?

O paciente deve estar clinicamente estável, sem necessidade de SABA frequente, com saturação de O2 > 94% em ar ambiente e PFE > 60-70% do previsto ou do melhor pessoal, além de ter garantido o tratamento de manutenção.

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