MedEvo Simulado — Prova 2026
Clarice, uma menina de 6 anos com diagnóstico prévio de asma brônquica em tratamento de manutenção, é levada à Unidade de Pronto Atendimento com quadro de tosse intensa e desconforto respiratório há 4 horas. Ao exame físico, a paciente encontra-se agitada, com fala entrecortada (consegue pronunciar apenas palavras isoladas), frequência respiratória de 46 irpm e saturação de oxigênio de 91% em ar ambiente. À ausculta pulmonar, notam-se sibilos inspiratórios e expiratórios difusos, associados a tiragem de fúrcula e subcostal moderada. Após a oferta de oxigênio suplementar para manter saturação acima de 94%, a conduta terapêutica inicial mais adequada para reversão da obstrução ao fluxo aéreo é:
Asma grave (fala entrecortada/Sat <92%) → SABA + Ipratropium + Corticoide sistêmico precoce.
Crises graves exigem terapia combinada com broncodilatadores (SABA + SAMA) e corticoide sistêmico na primeira hora para reduzir hospitalizações e reverter a obstrução.
O manejo da asma aguda na pediatria baseia-se na classificação rigorosa da gravidade clínica. Pacientes que apresentam sinais de exacerbação grave, como a paciente do caso (fala entrecortada, agitação e SatO2 91%), necessitam de intervenção imediata para evitar a progressão para insuficiência respiratória. A prioridade é a correção da hipoxemia com oxigenoterapia suplementar para manter a saturação entre 94-98%. A terapia farmacológica de primeira linha para crises graves consiste na combinação de broncodilatadores: beta-2 agonista de curta ação (como o salbutamol) e o anticolinérgico brometo de ipratrópio. Além disso, a administração precoce de corticoides sistêmicos (prednisolona oral ou metilprednisolona IV) é crucial, pois sua ação anti-inflamatória inicia-se após 4 a 6 horas, sendo fundamental para a resolução da crise e prevenção de recidivas.
O brometo de ipratrópio está indicado em crises de asma classificadas como moderadas a graves. Ele deve ser utilizado em associação ao beta-2 agonista de curta ação (SABA), preferencialmente nas primeiras três doses (primeira hora) do atendimento de emergência, visando reduzir as taxas de hospitalização e melhorar a função pulmonar mais rapidamente do que o SABA isolado.
A via oral é a preferencial para a administração de corticoides na maioria das crises de asma pediátrica, pois apresenta eficácia equivalente à via intravenosa, é menos invasiva e possui menor custo. A via intravenosa deve ser reservada para pacientes com insuficiência respiratória iminente, impossibilidade de deglutição ou vômitos persistentes que impeçam a absorção do medicamento.
Os sinais de gravidade incluem agitação psicomotora, incapacidade de falar frases completas (fala apenas palavras isoladas), frequência respiratória significativamente elevada para a idade, uso de musculatura acessória (tiragem de fúrcula e subcostal) e saturação de oxigênio em ar ambiente abaixo de 92%. O tórax silencioso à ausculta é um sinal de gravidade extrema.
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