FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2024
Menina de 6 anos de idade com quadro de asma desde os 2 anos, sem exacerbações há cerca de 1 ano, sem despertar noturno e sem limitação de atividade física, atualmente sem uso de medicação contínua, apresentando tosse e chiado a cada 3 meses. Há 6 horas iniciou quadro de tosse seca, chiado no peito e dificuldade respiratória que vem aumentando. Ao exame físico apresenta-se taquidispneica com sibilos ins e expiratórios difusos. O tratamento inicial preferencial para essa criança, considerando as recomendações atualizadas do GINA é:
Exacerbação de asma em criança → Salbutamol spray + dose baixa de corticoide inalatório sob demanda, conforme GINA.
As diretrizes GINA (Global Initiative for Asthma) mais recentes recomendam que, mesmo em exacerbações leves de asma, o tratamento de alívio deve incluir um beta-2 agonista de curta ação (SABA) associado a um corticoide inalatório (CI) em dose baixa. Isso visa reduzir o risco de exacerbações graves e o uso excessivo de SABA isolado.
A asma é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas que afeta milhões de crianças globalmente, sendo uma das principais causas de internação hospitalar na pediatria. As exacerbações agudas são eventos comuns e exigem manejo rápido e eficaz. As diretrizes da Global Initiative for Asthma (GINA) são atualizadas anualmente e fornecem as recomendações mais recentes para o diagnóstico e tratamento da asma em todas as faixas etárias, sendo um conhecimento fundamental para residentes. O caso clínico descreve uma criança com asma que apresenta uma exacerbação aguda. As recomendações GINA mais recentes (a partir de 2019) enfatizam a importância de não usar beta-2 agonistas de curta ação (SABA) isoladamente para alívio, mesmo em asma leve. A fisiopatologia da asma envolve broncoconstrição e inflamação das vias aéreas. Enquanto o Salbutamol (SABA) atua rapidamente na broncoconstrição, o corticoide inalatório (CI) trata a inflamação subjacente. Para o tratamento inicial de exacerbações em crianças, o GINA recomenda o uso de Salbutamol spray sob demanda associado a uma dose baixa de corticoide inalatório até a melhora dos sintomas. Essa estratégia, conhecida como 'terapia de alívio com CI-SABA', demonstrou reduzir o risco de exacerbações graves em comparação com o uso de SABA isolado. Corticoides sistêmicos são reservados para exacerbações moderadas a graves. A nebulização com Salbutamol pode ser uma opção, mas o spray com espaçador é igualmente eficaz e muitas vezes preferível pela praticidade. A manutenção com corticoide inalatório é para o controle da asma crônica, não para o tratamento agudo inicial da exacerbação.
Os principais sintomas incluem tosse (seca ou produtiva), chiado no peito (sibilos), dificuldade respiratória (dispneia), taquipneia, uso de musculatura acessória e, em casos mais graves, cianose e alteração do nível de consciência.
As diretrizes GINA recomendam essa combinação para tratar tanto a broncoconstrição (com Salbutamol) quanto a inflamação subjacente (com corticoide inalatório), mesmo em exacerbações leves. Isso reduz o risco de exacerbações futuras e a necessidade de corticoides sistêmicos.
O corticoide sistêmico é indicado em exacerbações de asma moderadas a graves, ou quando a resposta ao broncodilatador inalatório e ao corticoide inalatório é insuficiente. Ele age reduzindo a inflamação de forma mais potente e sistêmica.
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