EADPOC: Conduta Farmacológica e Antibioticoterapia

SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2023

Enunciado

Homem de 60 anos, tabagista há 42 anos (40 cigarros/dia), chega à emergência com queixa de dispneia que vem piorando há cerca de 7 dias, além de tosse e expectoração amarelada. Relata crises prévias de dispneia, sem expectoração, mas que logo melhoravam. Radiografia de tórax mostra retificação de cúpulas diafragmáticas, com sinais de hiperinsuflação pulmonar, sem imagens sugestivas de consolidações. Ao exame, PA: 130x80mmHg, frequência cardíaca: 88bpm, frequência respiratória: 22ipm, Saturação de O₂: 95%. Ausculta pulmonar com roncos e sibilos esparsos. Qual a conduta farmacológica indicada?

Alternativas

  1. A) Ipatrópio e levofloxacina.
  2. B) Prednisona e salbutamol somente.
  3. C) Levofloxacina e salbutamol somente.
  4. D) Moxifloxacina, prednisona e salbutamol.

Pérola Clínica

EADPOC com expectoração purulenta → ATB (Moxifloxacina), Corticoide (Prednisona), Broncodilatador (Salbutamol).

Resumo-Chave

Em exacerbações agudas de DPOC (EADPOC), a presença de expectoração purulenta, aumento da dispneia e tosse indica a necessidade de antibioticoterapia. Corticosteroides sistêmicos e broncodilatadores de curta ação são pilares do tratamento para reduzir a inflamação e melhorar a função pulmonar.

Contexto Educacional

A exacerbação aguda da Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (EADPOC) é uma piora súbita dos sintomas respiratórios que requer mudança na medicação habitual. É uma causa frequente de hospitalização e morbimortalidade em pacientes com DPOC, sendo crucial para residentes reconhecer e tratar adequadamente. O tabagismo é o principal fator de risco para o desenvolvimento da DPOC e suas exacerbações. O diagnóstico da EADPOC é clínico, baseado na piora da dispneia, tosse e/ou expectoração, muitas vezes associada a sinais de infecção. A radiografia de tórax ajuda a excluir outras causas de dispneia, como pneumonia ou insuficiência cardíaca. A avaliação da gravidade guia a escolha do local de tratamento (ambulatorial, enfermaria ou UTI) e a intensidade da terapia. A gasometria arterial é fundamental para avaliar a troca gasosa e o equilíbrio ácido-base. O tratamento farmacológico da EADPOC envolve broncodilatadores de curta ação (salbutamol, ipratrópio), corticosteroides sistêmicos (prednisona) e, se houver sinais de infecção bacteriana (como expectoração purulenta), antibióticos (ex: moxifloxacina, levofloxacina). A escolha do antibiótico deve considerar o perfil de resistência local e os fatores de risco do paciente. O suporte ventilatório pode ser necessário em casos mais graves.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais pilares do tratamento farmacológico da EADPOC?

Os principais pilares incluem broncodilatadores de curta ação (beta-2 agonistas e anticolinérgicos), corticosteroides sistêmicos para reduzir a inflamação e, em casos selecionados com sinais de infecção bacteriana, antibióticos.

Quando é indicado o uso de antibióticos em uma exacerbação de DPOC?

Antibióticos são indicados quando há aumento da dispneia, aumento do volume da expectoração e expectoração purulenta (critérios de Anthonisen). Também são considerados em exacerbações graves que requerem ventilação mecânica.

Qual o papel da prednisona no tratamento da EADPOC?

A prednisona, um corticoide sistêmico, é utilizada para reduzir a inflamação das vias aéreas, diminuir o edema da mucosa brônquica e melhorar a função pulmonar, contribuindo para a resolução mais rápida da exacerbação.

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