Exacerbação de DPOC: Quando Usar Antibióticos e Manejo

HMTJ - Hospital e Maternidade Therezinha de Jesus (MG) — Prova 2015

Enunciado

Paciente 68 anos, portador de Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), chega ao pronto atendimento com queixa de piora da dispneia, tosse produtiva com secreção amarelada e queda do quadro geral. HAS em tratamento regular com Losartan 50 mg \ dia e Anlodipino 5 mg \ dia. Em uso de broncodilatador de longa duração associado a corticoide inalatório de 12\12h e Tiotrópio inalatório 24\24 hs. Exame físico: PA 130/80 mmhg, FC 100 bpm, Sato₂ 85% ar ambiente, FR 28 ipm. Sobre o caso clínico assinale a alternativa incorreta:

Alternativas

  1. A) Na exacerbação do DPOC, as principais bactérias envolvidas são: H. influenzae. S. pneumoniae e M catarrhalis. 
  2. B) Uso de antibiótico com frequência, hospitalização recente e VFE1 < 50 %, são fatores de risco para infecção por Pseudomonas aeruginosa.
  3. C) O uso de antibiótico não é obrigatório neste paciente, caso a radiografia de tórax esteja normal.
  4. D) Oxigênioterapia, Hidrocortisona 200 mg de 6\ 6 hs, Levofloxacino 500 mg e broncodilatador de curta duração são medidas imperativas no manejo desse paciente.

Pérola Clínica

Exacerbação DPOC grave (3 critérios de Anthonisen ou falha terapêutica) → ATB obrigatório, mesmo com RX normal.

Resumo-Chave

Em exacerbações graves de DPOC, a antibioticoterapia é indicada se houver 3 critérios de Anthonisen (piora da dispneia, aumento volume escarro, aumento purulência escarro) ou 2 critérios sendo um deles a purulência, ou necessidade de ventilação mecânica, independentemente da radiografia de tórax.

Contexto Educacional

A exacerbação aguda da Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é um evento caracterizado por uma piora aguda dos sintomas respiratórios que requer mudança na medicação habitual. É uma causa comum de hospitalização e morbimortalidade em pacientes com DPOC. O reconhecimento precoce e o manejo adequado são cruciais para melhorar os desfechos. A fisiopatologia da exacerbação envolve inflamação das vias aéreas, hipersecreção de muco e broncoespasmo, frequentemente desencadeados por infecções virais ou bacterianas, ou por poluentes ambientais. Os critérios de Anthonisen são amplamente utilizados para guiar a decisão de iniciar antibióticos: piora da dispneia, aumento do volume do escarro e aumento da purulência do escarro. A presença dos três ou de dois, sendo um deles a purulência, indica benefício do antibiótico. O manejo da exacerbação inclui oxigenioterapia para manter SpO2 entre 88-92%, broncodilatadores de curta duração (beta-agonistas e anticolinérgicos), corticosteroides sistêmicos (geralmente prednisona oral por 5-7 dias) e, em casos selecionados, antibióticos. A escolha do antibiótico deve considerar os patógenos mais comuns (H. influenzae, S. pneumoniae, M. catarrhalis) e fatores de risco para Pseudomonas aeruginosa. A radiografia de tórax é importante para excluir outras condições, mas uma radiografia normal não descarta a necessidade de antibióticos em exacerbações graves.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para iniciar antibióticos na exacerbação de DPOC?

Os antibióticos são indicados se o paciente apresentar os três critérios de Anthonisen (piora da dispneia, aumento do volume do escarro, aumento da purulência do escarro) ou dois critérios, sendo um deles a purulência do escarro, ou se houver necessidade de ventilação mecânica.

Quais são os principais patógenos bacterianos em exacerbações de DPOC?

Os patógenos mais comuns são Haemophilus influenzae, Streptococcus pneumoniae e Moraxella catarrhalis. Em pacientes com fatores de risco, Pseudomonas aeruginosa deve ser considerada.

Quais são os fatores de risco para infecção por Pseudomonas aeruginosa em DPOC?

Fatores de risco incluem uso frequente de antibióticos, hospitalização recente, VEF1 < 50% do previsto, colonização prévia por Pseudomonas e bronquiectasias.

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