UFMT Revalida - Universidade Federal de Mato Grosso — Prova 2023
Um homem de 72 anos chega ao pronto atendimento com tosse produtiva, expectoração clara e dispneia há 5 dias. Tabagista de longa data e hipertenso. Ao exame físico, apresenta tiragem intercostal e batimento de asa nasal, PA = 160 x 100mmHg, FC = 120bpm, FR = 26irpm, Tax = 36,8°C, SatO2 = 88%. Ausculta pulmonar revela sibilos difusos e murmúrio vesicular diminuído. Exames laboratoriais mostram Hb de 16,1g/dL, Ht de 42% e leucócitos = 7.300/mm³. Gasometria arterial mostra pH = 7,27, PaO2 = 54, PaCO2 = 70 e HCO3 = 26. Raio X do tórax com sinais de hiperinsuflação pulmonar. Qual conduta inicial deve ser realizada nesse paciente?
Exacerbação DPOC grave com acidose respiratória e hipoxemia → VMI e broncodilatadores.
O paciente apresenta uma exacerbação grave de DPOC com insuficiência respiratória hipercápnica (pH baixo, PaCO2 elevado) e hipoxemia severa (SatO2 88%, PaO2 54). A conduta inicial deve focar na reversão da hipoxemia e hipercapnia, sendo a ventilação mecânica invasiva (VMI) indicada para suporte ventilatório e correção da acidose.
A exacerbação aguda da Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é um evento caracterizado por um agravamento dos sintomas respiratórios que requer mudança na medicação habitual. É uma causa comum de hospitalização e mortalidade em pacientes com DPOC. A avaliação da gravidade é fundamental para guiar a conduta, sendo a gasometria arterial um exame crucial para identificar insuficiência respiratória hipercápnica e acidose. O paciente do enunciado apresenta um quadro de exacerbação grave, com sinais de esforço respiratório intenso (tiragem, batimento de asa nasal), hipoxemia (SatO2 88%, PaO2 54) e acidose respiratória descompensada (pH 7,27, PaCO2 70). Nesses casos, a ventilação mecânica invasiva (VMI) é frequentemente necessária para fornecer suporte ventilatório, corrigir a hipercapnia e a acidose, e reduzir o trabalho respiratório. Além do suporte ventilatório, o tratamento inclui a administração de broncodilatadores de curta ação (beta-agonistas e anticolinérgicos) para aliviar o broncoespasmo, corticosteroides sistêmicos para reduzir a inflamação e, se houver evidência de infecção bacteriana, antibióticos. A oxigenoterapia deve ser iniciada, mas com cautela, visando uma saturação entre 88-92% para evitar a depressão do drive respiratório em pacientes com retenção crônica de CO2.
Sinais de exacerbação grave incluem dispneia intensa, uso de musculatura acessória, tiragem, batimento de asa nasal, cianose, alteração do nível de consciência, e achados gasométricos como hipoxemia e acidose respiratória.
A VMI é indicada em casos de exacerbação grave de DPOC com insuficiência respiratória que não responde à terapia inicial, especialmente na presença de acidose respiratória grave (pH < 7,25-7,30), hipercapnia progressiva, hipoxemia refratária ou rebaixamento do nível de consciência.
O tratamento farmacológico inicial inclui broncodilatadores de curta ação (beta-agonistas e anticolinérgicos), corticosteroides sistêmicos e, em casos de infecção bacteriana, antibióticos. A oxigenoterapia deve ser cuidadosamente titulada para evitar a depressão do drive respiratório.
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