Exacerbação Aguda de DPOC: Manejo Essencial para Residentes

UNESC - Centro Universitário do Espírito Santo — Prova 2020

Enunciado

Paciente tabagista inveterado, é admitido no pronto-socorro, com queixa de tosse secretiva, dispneia e sibilos difusos em ausculta pulmonar. O Rx tórax não evidenciou consolidações ou massas pulmonares. Ao ser questionado, refere que já estava apresentando esses sintomas há cerca de 1 ano, porém, apresentou piora importante na última semana com aumento da secreção com coloração esverdeada. Qual alternativa é correta sobre o caso? 

Alternativas

  1. A) Na hipótese clínica de DPOC, o paciente apresenta um quadro de exacerbação aguda da doença e deve ser tratado com antibiótico, corticoide e broncodilatadores inalatórios. 
  2. B) Na hipótese clínica de asma brônquica, o paciente deve ser encaminhado ao pneumologista urgente.
  3. C) O paciente apresenta pneumonia com sinais de gravidade e deve receber tratamento em UTI.
  4. D) Devido à dispneia súbita, é indicado solicitar D Dímero e iniciar tratamento para tromboembolismo pulmonar.
  5. E) A espirometria faz parte do manejo desses pacientes na sala de emergência, para definição de conduta durante internação.

Pérola Clínica

Exacerbação aguda DPOC (tabagista, piora secreção purulenta) = ATB + corticoide + broncodilatador.

Resumo-Chave

Em pacientes tabagistas com histórico de sintomas respiratórios crônicos sugestivos de DPOC, uma piora aguda da tosse, dispneia e aumento da secreção purulenta, sem evidência de pneumonia no raio-X, configura uma exacerbação aguda. O tratamento padrão inclui antibióticos para infecção bacteriana, corticoides sistêmicos para reduzir a inflamação e broncodilatadores para melhorar o fluxo aéreo.

Contexto Educacional

A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é uma condição progressiva e debilitante, frequentemente associada ao tabagismo. As exacerbações agudas são eventos críticos que levam à piora dos sintomas respiratórios e são uma causa comum de hospitalização e mortalidade. Reconhecer uma exacerbação é fundamental para o manejo adequado, que visa restaurar a função pulmonar e prevenir complicações. A história de tabagismo e sintomas crônicos como tosse, dispneia e sibilos são indicativos de DPOC. O diagnóstico de exacerbação aguda de DPOC é clínico, baseado na piora dos sintomas respiratórios basais do paciente. A presença de escarro purulento sugere infecção bacteriana, justificando o uso de antibióticos. O raio-X de tórax é importante para excluir outras condições, como pneumonia ou pneumotórax, que poderiam mimetizar ou complicar a exacerbação. A ausência de consolidações ou massas pulmonares no raio-X, em um paciente com histórico de DPOC e piora aguda, reforça o diagnóstico de exacerbação. O tratamento de uma exacerbação aguda de DPOC tipicamente envolve uma tríade: broncodilatadores inalatórios de curta ação (para alívio sintomático), corticoides sistêmicos (para reduzir a inflamação das vias aéreas) e antibióticos (se houver sinais de infecção bacteriana, como aumento da purulência do escarro). A espirometria não é indicada na sala de emergência durante uma exacerbação, pois o paciente não consegue realizar a manobra adequadamente e os resultados não guiam a conduta aguda. O manejo precoce e agressivo é crucial para melhorar o prognóstico e reduzir a necessidade de internação.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para diagnosticar uma exacerbação aguda de DPOC?

Os critérios de Anthonisen são frequentemente usados: aumento da dispneia, aumento do volume do escarro e aumento da purulência do escarro. A presença de dois ou mais desses critérios, especialmente o aumento da purulência, indica uma exacerbação que pode necessitar de antibióticos.

Por que são usados antibióticos e corticoides na exacerbação de DPOC?

Antibióticos são indicados para tratar infecções bacterianas que frequentemente desencadeiam as exacerbações, especialmente com escarro purulento. Corticoides sistêmicos são usados para reduzir a inflamação brônquica, melhorando a função pulmonar e diminuindo a duração da exacerbação.

Qual a importância dos broncodilatadores inalatórios no tratamento da exacerbação de DPOC?

Os broncodilatadores de curta ação, como beta-2 agonistas e anticolinérgicos, são a base do tratamento sintomático, pois promovem a broncodilatação e aliviam a dispneia, sendo administrados de forma mais frequente durante a exacerbação.

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