Exacerbação de DPOC: Manejo da Infecção e Hipoxemia

CEREM - Comissão Estadual de Residência Médica de Alagoas — Prova 2021

Enunciado

Mulher, 52 anos de idade, dá entrada no Pronto Socorro queixando-se de dispneia há quatro dias, associada à tosse com secreção amarelada. Já tem tosse com secreção hialina, há pelo menos um ano, que associa ao uso de cigarro. É tabagista de 40 anos/maço e portadora de hipertensão arterial sistêmica, em uso de losartana. Ao exame físico, apresenta PA: 150x90mmHg, SatO₂: 93%, FC: 89bpm, FR: 14irpm. À ausculta respiratória há sibilos à expiração forçada e raros crépitos em bases.Com base no quadro clínico atual, identifique a melhor combinação de medicações para o tratamento dessa paciente.

Alternativas

  1. A) Amoxacilina com clavulanato, macrolídeo, oxigênio.
  2. B) Cefalosporina de primeira geração, corticoide, beta-2-agonista de longa duração.
  3. C) Quinolona respiratória, corticoide, beta-2-agonista de curta duração.
  4. D) Amoxacilina com clavulanato, oxigênio, beta-2-agonistade longa duração.

Pérola Clínica

Exacerbação DPOC com sinais de infecção e hipoxemia → ATB (quinolona respiratória), corticoide sistêmico e broncodilatador de curta ação.

Resumo-Chave

A paciente apresenta um quadro de exacerbação aguda de DPOC (história de tabagismo, tosse crônica, sibilos) com sinais de infecção bacteriana (secreção amarelada, dispneia aguda) e hipoxemia (SatO2 93%). O tratamento ideal inclui antibiótico com cobertura para patógenos respiratórios (quinolona respiratória), corticoide sistêmico para reduzir a inflamação e broncodilatador de curta duração para alívio sintomático.

Contexto Educacional

A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é uma condição progressiva e debilitante, frequentemente exacerbada por infecções respiratórias. Uma exacerbação aguda de DPOC é caracterizada por um agravamento dos sintomas respiratórios que leva a uma mudança na medicação. Pacientes tabagistas crônicos, como a descrita, têm alto risco de desenvolver DPOC e suas exacerbações. O quadro clínico da paciente, com dispneia progressiva, tosse com secreção purulenta e hipoxemia, sugere uma exacerbação infecciosa de DPOC, possivelmente complicada por uma pneumonia adquirida na comunidade. A presença de sibilos e crépitos reforça a necessidade de tratamento agressivo. O tratamento de uma exacerbação de DPOC com sinais de infecção bacteriana e hipoxemia envolve três pilares: oxigenoterapia para corrigir a hipoxemia (SatO2 93% indica necessidade), broncodilatadores de curta duração (beta-2-agonistas e/ou anticolinérgicos) para alívio rápido da broncoconstrição, e antibioticoterapia empírica com cobertura adequada para os patógenos respiratórios comuns. Corticoides sistêmicos são essenciais para reduzir a inflamação e melhorar o desfecho. Quinolonas respiratórias são uma boa escolha em pacientes com fatores de risco para falha terapêutica ou resistência.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para iniciar antibioticoterapia em uma exacerbação de DPOC?

A antibioticoterapia é indicada quando há aumento de três sintomas cardinais (dispneia, volume de escarro, purulência do escarro), ou dois sintomas cardinais sendo um deles a purulência do escarro, ou exacerbação grave que requer ventilação mecânica.

Por que uma quinolona respiratória é uma boa escolha para essa paciente?

Quinolonas respiratórias (como levofloxacino ou moxifloxacino) têm excelente cobertura para os patógenos mais comuns em exacerbações de DPOC, incluindo S. pneumoniae, H. influenzae, M. catarrhalis e patógenos atípicos, sendo uma boa opção para pacientes com fatores de risco ou falha terapêutica inicial.

Qual o papel dos corticoides sistêmicos na exacerbação de DPOC?

Os corticoides sistêmicos (como prednisona oral) são utilizados para reduzir a inflamação das vias aéreas, diminuir o tempo de recuperação, melhorar a função pulmonar e reduzir a taxa de falha do tratamento e recorrência precoce.

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