SMS Florianópolis - Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis (SC) — Prova 2020
Sr. Mauro, 60 anos, tabagista há 35 anos, apresenta tosse e dispneia crônicas. De tempos em tempos, tem piora do quadro com intensificação dos sintomas. Já tentou parar de fumar, mas o máximo que conseguiu foi cessar o uso por uma semana. Nesta noite, teve piora da dispneia e está há 3 dias com muita tosse produtiva com expectoração amarelada. Não teve febre. Não dormiu bem e, logo cedo, procurou a Unidade Básica de Saúde. A equipe o acolheu e identificou: desconforto respiratório com tiragem intercostal, pressão arterial de 130/90 mmHg, pulso de 92 bpm, rítmico e cheio, frequência respiratória de 24 mrm, ausculta pulmonar com murmúrio vesicular presente, roncos e sibilos difusos. O restante do exame físico estava normal. A principal hipótesediagnóstica é:
Tabagista crônico com tosse/dispneia piora aguda + expectoração purulenta + roncos/sibilos → Exacerbação de DPOC.
O paciente tem um histórico clássico de DPOC (tabagismo crônico, tosse e dispneia crônicas com piora intermitente). A piora aguda da dispneia, aumento da tosse produtiva com expectoração purulenta e achados de roncos e sibilos difusos são características de uma exacerbação aguda da Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica.
A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é uma condição respiratória progressiva e irreversível, caracterizada por limitação crônica do fluxo aéreo, geralmente causada pela exposição prolongada a partículas ou gases nocivos, sendo o tabagismo o principal fator de risco. Os pacientes com DPOC frequentemente apresentam tosse crônica, produção de escarro e dispneia, que se agravam ao longo do tempo. A exacerbação aguda da DPOC é um evento caracterizado por uma piora aguda dos sintomas respiratórios do paciente, que vai além da variação diária e requer uma mudança na medicação habitual. A fisiopatologia da exacerbação envolve um aumento da inflamação nas vias aéreas, broncoconstrição e hipersecreção de muco, frequentemente desencadeados por infecções virais ou bacterianas, ou por poluentes ambientais. O quadro clínico típico inclui intensificação da dispneia, aumento da tosse e da produção de escarro, que pode se tornar purulento. No exame físico, podem ser encontrados sibilos, roncos e sinais de desconforto respiratório, como tiragem intercostal e aumento da frequência respiratória. A ausência de febre não exclui uma infecção bacteriana como gatilho. O manejo da exacerbação de DPOC visa aliviar os sintomas, melhorar a função pulmonar e prevenir futuras exacerbações. Inclui o uso de broncodilatadores de curta ação (beta-2 agonistas e anticolinérgicos), corticosteroides sistêmicos para reduzir a inflamação e, em casos de sinais de infecção bacteriana (como expectoração purulenta), antibióticos. A oxigenoterapia deve ser administrada com cautela para manter a saturação de oxigênio entre 88-92%, a fim de evitar a depressão respiratória induzida por CO2. A identificação e tratamento precoces são cruciais para evitar a progressão para insuficiência respiratória e hospitalização.
O principal fator de risco para DPOC é o tabagismo, mas a exposição à poluição do ar, poeiras ocupacionais e fumaça de biomassa também contribuem significativamente para o desenvolvimento da doença.
Os critérios de Anthonisen para exacerbação de DPOC incluem aumento da dispneia, aumento do volume de escarro e aumento da purulência do escarro. A presença de todos os três indica uma exacerbação grave.
A conduta inicial envolve broncodilatadores de curta ação (beta-2 agonistas e anticolinérgicos), corticosteroides sistêmicos e, se houver sinais de infecção bacteriana (como expectoração purulenta), antibióticos. Oxigenoterapia deve ser administrada para manter saturação entre 88-92%.
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