Exacerbação de DPOC: Manejo da Insuficiência Respiratória com VNI

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2022

Enunciado

Mulher, 72 anos, tabagista (80 anos-maço), refere dispneia progressiva e tosse com expectoração amarelada pela manhã há 10 anos. Há 4 dias com aumento do volume de expectoração (que se tornou mais escura) e piora da dispneia. Exame físico: REG, consciente, Glasgow 15. Ausculta respiratória: murmúrio vesicular reduzido bilateralmente, com sibilos difusos. FR: 30 ipm. FC: 110 bpm; PA: 112 x 72 mmHg. Gasometria arterial em ar ambiente pH: 7,28; pO₂: 50 mmHg: pCO₂: 54 mmHg; HCO₃: 28 mEq/L; saturação O₂: 84%. Qual intervenção mais adequada neste momento?

Alternativas

  1. A) Intubação e ventilação mecânica.
  2. B) Ventilação não-invasiva.
  3. C) Cateter nasal de alto fluxo.
  4. D) Máscara de Venturi.

Pérola Clínica

DPOC exacerbada com acidose respiratória (pH < 7.35, pCO₂ ↑) e Glasgow 15 → VNI é a primeira linha para evitar intubação.

Resumo-Chave

Em pacientes com exacerbação aguda de DPOC e insuficiência respiratória hipercápnica (pH < 7.35 e pCO₂ elevada), mas sem rebaixamento do nível de consciência, a ventilação não invasiva (VNI) é a intervenção de escolha. Ela melhora a troca gasosa, reduz o trabalho respiratório e diminui a necessidade de intubação orotraqueal.

Contexto Educacional

A exacerbação aguda da Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é uma causa comum de internação hospitalar e insuficiência respiratória. Caracteriza-se por piora dos sintomas respiratórios basais, como dispneia, tosse e produção de escarro, frequentemente desencadeada por infecções. A avaliação inicial inclui a análise da gravidade da dispneia, frequência respiratória, uso de musculatura acessória e, crucialmente, a gasometria arterial para identificar hipoxemia e acidose respiratória hipercápnica. A paciente apresenta um quadro clássico de exacerbação de DPOC com insuficiência respiratória hipercápnica: dispneia progressiva, tosse com expectoração, sibilos difusos e, na gasometria, pH 7.28, pCO₂ 54 mmHg e pO₂ 50 mmHg. O pH baixo e a pCO₂ elevada indicam acidose respiratória aguda. No entanto, o nível de consciência preservado (Glasgow 15) é um fator determinante para a escolha da intervenção ventilatória. Nesse cenário, a ventilação não invasiva (VNI) é a intervenção mais adequada. A VNI oferece suporte ventilatório sem a necessidade de intubação, melhorando a troca gasosa, reduzindo o trabalho respiratório e diminuindo a morbimortalidade associada à ventilação mecânica invasiva em pacientes com DPOC. A intubação e ventilação mecânica são reservadas para casos de falha da VNI, rebaixamento do nível de consciência, instabilidade hemodinâmica ou outras contraindicações à VNI. Cateter nasal de alto fluxo e máscara de Venturi são métodos de oxigenoterapia, não de suporte ventilatório para acidose respiratória grave.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios gasométricos para insuficiência respiratória hipercápnica em exacerbação de DPOC?

Os critérios incluem pH < 7.35 e pCO₂ > 45 mmHg. No caso da paciente, pH 7.28 e pCO₂ 54 mmHg confirmam acidose respiratória aguda sobreposta a uma alcalose metabólica compensatória crônica.

Quando a ventilação não invasiva (VNI) é a conduta mais adequada em uma exacerbação de DPOC?

A VNI é indicada para pacientes com exacerbação de DPOC que apresentam insuficiência respiratória hipercápnica (acidose respiratória) e/ou hipoxemia grave, mas que mantêm o nível de consciência preservado (Glasgow > 8) e não possuem contraindicações absolutas à VNI.

Quais são as principais contraindicações para a VNI em pacientes com DPOC exacerbada?

As contraindicações incluem rebaixamento grave do nível de consciência (Glasgow < 8), instabilidade hemodinâmica, parada cardiorrespiratória, aspiração maciça, trauma facial, cirurgia esofágica recente e incapacidade de proteger vias aéreas.

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