Evisceração Abdominal: Diagnóstico e Conduta Cirúrgica

PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2025

Enunciado

Paciente de 70 anos, sem comorbidades, submetido a laparotomia por trauma abdominal com enterectomia por lesão de intestino delgado. Iniciou com saída de secreção sero-hemática no 3º pós-operatório, ainda na enfermaria. Com relação ao caso acima, assinale a alternativa CORRETA.

Alternativas

  1. A) É provável que se trate de um seroma abdominal e se confirmado o paciente deve ser submetido a sobre-sutura da pele para evitar perda liquida constante.
  2. B) É provável que se trate de evisceração e o paciente deve ser submetido a fechamento primário da parede com uso de fio absorvível em sutura continua ou separada reforçada com pontos totais, não sendo neste caso necessário o uso de tela sintética.
  3. C) Este paciente está desenvolvendo ascite por desnutrição intra-hospitalar e deve iniciar reforço nutricional com nutrição parenteral total.
  4. D) Este paciente está desenvolvendo coleção em parede abdominal que pode evoluir a abscesso sendo necessário o uso de cinta elástica compressiva que auxilia a drenagem da secreção.
  5. E) É provável que se trate de evisceração e se confirmado, o paciente deve ser operado com fechamento da parede com uso de prótese sintética.

Pérola Clínica

Saída de secreção sero-hemática ('água de carne') no 3º-5º PO = Evisceração (deiscência aponeurótica).

Resumo-Chave

A saída de secreção sero-hemática pela ferida operatória é o sinal clássico de deiscência da aponeurose (evisceração), exigindo reintervenção cirúrgica imediata para fechamento da parede, muitas vezes com reforço de tela.

Contexto Educacional

A evisceração é uma complicação pós-operatória temida que aumenta significativamente a morbimortalidade. Fatores de risco incluem desnutrição, anemia, obesidade, tabagismo, uso de corticoides, infecção do sítio cirúrgico e aumento da pressão intra-abdominal (tosse, vômitos, íleo paralítico). O diagnóstico precoce através do sinal da 'água de carne' permite a intervenção antes que ocorra a exteriorização completa das alças intestinais, o que poderia levar a peritonite, fístulas ou necrose isquêmica. A técnica de fechamento deve ser criteriosa, priorizando fios monofilamentares de absorção lenta ou inabsorvíveis e, conforme as condições locais, o uso de telas para garantir a estabilidade da parede.

Perguntas Frequentes

O que indica a saída de secreção sero-hemática no pós-operatório?

A saída de secreção sero-hemática (frequentemente descrita como aspecto de 'água de carne' ou 'lavagem de carne') através da ferida operatória entre o 3º e o 5º dia pós-operatório é um sinal patognomônico de deiscência da aponeurose, também chamada de evisceração. Esse fluido é o líquido peritoneal que extravasa devido à falha na integridade da sutura profunda da parede abdominal, mesmo que a pele ainda pareça íntegra ou parcialmente aberta.

Qual a diferença entre evisceração e eventração?

A evisceração é a deiscência aguda de todas as camadas da parede abdominal (incluindo a aponeurose) no período pós-operatório imediato ou precoce, com ou sem exteriorização de vísceras. A eventração (ou hérnia incisional) é uma complicação tardia, onde ocorre a protrusão de conteúdo abdominal através de um defeito cicatricial da parede, mas recoberto por pele íntegra.

Como deve ser o manejo cirúrgico da evisceração?

O tratamento da evisceração é cirúrgico e de urgência. Consiste na reexploração da cavidade, lavagem se necessário, e novo fechamento da parede abdominal. Em casos de grande tensão, má qualidade dos tecidos ou perda de domicílio, recomenda-se o uso de próteses sintéticas (telas) para reforço ou fechamento sem tensão, visando reduzir as taxas de recidiva e hérnias incisionais futuras.

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