PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2025
Paciente de 70 anos, sem comorbidades, submetido a laparotomia por trauma abdominal com enterectomia por lesão de intestino delgado. Iniciou com saída de secreção sero-hemática no 3º pós-operatório, ainda na enfermaria. Com relação ao caso acima, assinale a alternativa CORRETA.
Saída de secreção sero-hemática ('água de carne') no 3º-5º PO = Evisceração (deiscência aponeurótica).
A saída de secreção sero-hemática pela ferida operatória é o sinal clássico de deiscência da aponeurose (evisceração), exigindo reintervenção cirúrgica imediata para fechamento da parede, muitas vezes com reforço de tela.
A evisceração é uma complicação pós-operatória temida que aumenta significativamente a morbimortalidade. Fatores de risco incluem desnutrição, anemia, obesidade, tabagismo, uso de corticoides, infecção do sítio cirúrgico e aumento da pressão intra-abdominal (tosse, vômitos, íleo paralítico). O diagnóstico precoce através do sinal da 'água de carne' permite a intervenção antes que ocorra a exteriorização completa das alças intestinais, o que poderia levar a peritonite, fístulas ou necrose isquêmica. A técnica de fechamento deve ser criteriosa, priorizando fios monofilamentares de absorção lenta ou inabsorvíveis e, conforme as condições locais, o uso de telas para garantir a estabilidade da parede.
A saída de secreção sero-hemática (frequentemente descrita como aspecto de 'água de carne' ou 'lavagem de carne') através da ferida operatória entre o 3º e o 5º dia pós-operatório é um sinal patognomônico de deiscência da aponeurose, também chamada de evisceração. Esse fluido é o líquido peritoneal que extravasa devido à falha na integridade da sutura profunda da parede abdominal, mesmo que a pele ainda pareça íntegra ou parcialmente aberta.
A evisceração é a deiscência aguda de todas as camadas da parede abdominal (incluindo a aponeurose) no período pós-operatório imediato ou precoce, com ou sem exteriorização de vísceras. A eventração (ou hérnia incisional) é uma complicação tardia, onde ocorre a protrusão de conteúdo abdominal através de um defeito cicatricial da parede, mas recoberto por pele íntegra.
O tratamento da evisceração é cirúrgico e de urgência. Consiste na reexploração da cavidade, lavagem se necessário, e novo fechamento da parede abdominal. Em casos de grande tensão, má qualidade dos tecidos ou perda de domicílio, recomenda-se o uso de próteses sintéticas (telas) para reforço ou fechamento sem tensão, visando reduzir as taxas de recidiva e hérnias incisionais futuras.
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