UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2024
Paciente, em pós-operatório de laparotomia exploradora por trauma abdominal fechado, apresentou evolução arrastada, com íleo prolongado. No quinto dia pós-operatório, apresentou drenagem de secreção sanguinolenta pela ferida operatória. O diagnóstico mais provável nesse caso é:
Saída de secreção 'água de carne' (serossanguinolenta) no 5º-10º PO = Evisceração iminente.
A drenagem de secreção serossanguinolenta (sinal do 'banho de sangue' ou 'água de carne') é o sinal patognomônico de deiscência de aponeurose e evisceração.
A evisceração é uma emergência cirúrgica que ocorre em cerca de 1% a 3% das laparotomias. O sinal clínico mais característico é a saída súbita de grande quantidade de secreção serossanguinolenta (cor de 'água de carne') pela ferida operatória, o que indica que a aponeurose rompeu e o líquido peritoneal está extravasando. Fatores de risco incluem técnica de sutura inadequada, infecção do sítio cirúrgico, obesidade, tosse excessiva, desnutrição e condições que aumentam a pressão intra-abdominal. O diagnóstico é clínico e deve ser suspeitado em qualquer paciente com evolução arrastada e drenagem atípica pela ferida. O tratamento requer retorno imediato ao bloco cirúrgico. A prevenção envolve técnica cirúrgica meticulosa (relação comprimento do fio/comprimento da ferida de pelo menos 4:1) e controle de fatores sistêmicos que prejudicam a cicatrização.
A evisceração é uma complicação aguda do pós-operatório imediato (geralmente entre o 5º e 10º dia) caracterizada pela deiscência de todos os planos da parede abdominal, resultando na exteriorização de vísceras (geralmente alças delgadas) através da ferida. Já a eventração, ou hérnia incisional, é uma complicação tardia onde ocorre a deiscência da aponeurose, mas a pele permanece íntegra, formando um saco herniário que contém as vísceras.
O íleo prolongado aumenta a pressão intra-abdominal devido à distensão das alças intestinais. Essa pressão aumentada exerce uma força de tensão sobre a linha de sutura da aponeurose. Se a síntese estiver fragilizada por fatores técnicos, infecção ou má cicatrização (desnutrição, anemia, uso de corticoides), a pressão do íleo pode precipitar a deiscência aponeurótica, levando à evisceração.
A conduta imediata diante de uma evisceração é a proteção das alças intestinais exteriorizadas com compressas estéreis embebidas em soro fisiológico morno, seguida de cobertura com campos estéreis. O paciente deve ser mantido em jejum, estabilizado hemodinamicamente e encaminhado urgentemente ao centro cirúrgico para reintervenção, lavagem da cavidade e nova síntese da parede abdominal, muitas vezes utilizando suturas de retenção.
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