HSLRP - Hospital São Luiz Rede D'Or Ribeirão Preto (SP) — Prova 2025
Paciente masculino, 63 anos de idade, sem comorbidades, encontra-se no pós-operatório de uma retossigmoidectomia a Hartmann por neoplasia de sigmoide obstrutiva. A cirurgia ocorreu sem intercorrências e respeitando-se os princípios oncológicos, no entanto, no quinto dia de pós-operatório, notou-se saída de grande quantidade de líquido serossanguinolento pela ferida operatória. Encontra-se afebril, com colostomia em bom funcionamento, boa aceitação de dieta via oral. Assinale a alternativa que apresenta a complicação mais provável, dentre as abaixo, que justifique o quadro atual do paciente:
Saída de líquido serossanguinolento abundante por ferida operatória no 5º PO, afebril, sem sinais de infecção, sugere eventração.
A saída de grande quantidade de líquido serossanguinolento pela ferida operatória, especialmente no 5º dia de pós-operatório e na ausência de febre ou outros sinais de infecção, é um forte indicativo de deiscência da fáscia (eventração), com extravasamento de líquido peritoneal.
A eventração pós-operatória, ou deiscência da ferida operatória, é uma complicação grave que pode ocorrer após cirurgias abdominais, caracterizada pela falha na cicatrização da fáscia muscular, com ou sem exteriorização de vísceras (evisceração). Geralmente, manifesta-se entre o 5º e o 10º dia de pós-operatório, sendo mais comum em pacientes com fatores de risco como desnutrição, obesidade, tosse crônica, ascite, infecção da ferida, uso de corticosteroides e técnicas cirúrgicas inadequadas. O quadro clínico típico envolve a saída de grande quantidade de líquido serossanguinolento pela ferida operatória, muitas vezes sem sinais sistêmicos de infecção como febre, o que a diferencia de uma infecção purulenta. A palpação da ferida pode revelar um defeito fascial. A diferenciação com seroma é importante, pois o seroma é um acúmulo de líquido sem deiscência fascial. A fístula de anastomose intestinal, embora grave, geralmente se manifesta com sinais de peritonite ou sepse, e o líquido seria entérico. O diagnóstico precoce e a intervenção adequada são cruciais para evitar complicações maiores como a evisceração e a sepse. O tratamento geralmente envolve o fechamento cirúrgico do defeito fascial. Para residentes, é fundamental reconhecer os sinais de alerta e os fatores de risco para essa complicação, garantindo um manejo rápido e eficaz, o que impacta diretamente no prognóstico do paciente.
A eventração é caracterizada pela deiscência da fáscia abdominal, manifestando-se clinicamente pela saída de grande quantidade de líquido serossanguinolento pela ferida operatória, geralmente entre o 5º e o 10º dia de pós-operatório. Pode haver dor local, mas a ausência de febre e sinais inflamatórios sistêmicos é comum.
A eventração se distingue de uma infecção de ferida pela ausência de sinais flogísticos (calor, rubor, dor intensa, febre) e pela natureza do líquido (serossanguinolento, não purulento). De um seroma, diferencia-se pelo volume e pela suspeita de deiscência fascial subjacente, que permite a saída de líquido peritoneal.
Diante da suspeita de eventração, a conduta inicial inclui a proteção da ferida com curativos estéreis e avaliação cirúrgica imediata. A confirmação da deiscência fascial geralmente leva à reintervenção cirúrgica para fechamento da fáscia e prevenção de evisceração.
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