Eventração Abdominal: Sinais e Fatores de Risco Pós-Operatórios

UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2020

Enunciado

Homem de 58 anos foi submetido à laparotomia exploradora em caráter de urgência por abdome agudo obstrutivo. No intraoperatório, foi evidenciada neoplasia obstrutiva de sigmoide e realizada sigmoidectomia a Hartmann. AP: hipertenso, diabético, obeso e tabagista. No 5º PO, evidenciou-se saída de grande quantidade de líquido sero-hemático pela ferida operatória. A hipótese diagnóstica é

Alternativas

  1. A) fístula intestinal de alto débito.
  2. B) eventração da parede abdominal.
  3. C) infecção de ferida operatória.
  4. D) evisceração.

Contexto Educacional

A eventração da parede abdominal, ou deiscência da ferida operatória, é uma complicação grave que pode ocorrer no pós-operatório de cirurgias abdominais. Caracteriza-se pela separação das camadas da parede abdominal, geralmente da fáscia, com a pele e o tecido subcutâneo permanecendo intactos. A incidência varia, mas é mais comum em pacientes com múltiplos fatores de risco, como o caso apresentado, que inclui hipertensão, diabetes, obesidade e tabagismo, todos conhecidos por comprometer a cicatrização de feridas. A apresentação clínica clássica da deiscência fascial é a saída de grande quantidade de líquido sero-hemático pela ferida operatória, geralmente entre o 5º e o 10º dia de pós-operatório. Esse líquido é proveniente do peritônio e indica que a integridade da fáscia foi perdida. A diferenciação com outras complicações, como infecção de ferida (que geralmente cursa com pus e sinais flogísticos) ou fístula intestinal (que teria conteúdo entérico), é crucial para o manejo adequado. O reconhecimento precoce da eventração é vital para prevenir a progressão para evisceração, uma emergência cirúrgica onde as vísceras abdominais se exteriorizam. O tratamento envolve a reintervenção cirúrgica para o fechamento da fáscia, muitas vezes com o uso de tela para reforço. Para residentes, a vigilância para esses sinais em pacientes de risco é fundamental para um bom prognóstico e para evitar morbidade e mortalidade significativas.

Perguntas Frequentes

Quais são os fatores de risco para deiscência de ferida operatória?

Fatores de risco incluem obesidade, diabetes, tabagismo, desnutrição, idade avançada, ascite, uso de corticosteroides, infecção da ferida e técnicas cirúrgicas inadequadas.

Como diferenciar eventração de evisceração?

A eventração ocorre quando há deiscência da fáscia, mas a pele e o tecido subcutâneo permanecem íntegros, contendo as vísceras. Na evisceração, todas as camadas da parede abdominal se rompem, e as vísceras se exteriorizam.

Qual a conduta inicial diante da suspeita de eventração?

Diante da suspeita de eventração, a conduta inicial é proteger a ferida com curativo estéril e úmido, manter o paciente em repouso, avaliar o estado geral e preparar para reintervenção cirúrgica para correção da deiscência fascial.

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