INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2012
Um homem de 78 anos de idade procurou a Unidade Básica de Saúde (UBS) por ter acordado com febre e mal-estar. A médica que o atendeu indagou se ele estava gripado e ele informou que não. O paciente ressaltou ainda que tinha recebido a vacina contra a gripe no dia anterior. Ao exame físico foi observado que o paciente estava com bom estado geral, eupneico, acianótico, anictérico, hidratado, com FR = 18 irpm, FC = 98 bpm, P A = 130 x 90 mmHg, temperatura axilar = 39°C, sem ruídos respiratórios adventícios e sem linfonodos palpáveis. Qual é a conduta mais adequada nesse momento?
Febre após vacina inativada → Sintomáticos + Notificação (não é gripe causada pela vacina).
Reações sistêmicas como febre e mal-estar são eventos adversos esperados e não indicam infecção pela vacina, exigindo apenas manejo sintomático e notificação.
Eventos adversos pós-vacinação (EAPV) são ocorrências clínicas indesejadas que surgem após a administração de um imunobiológico. No caso da vacina contra a Influenza, as reações mais comuns são locais (dor e eritema no sítio de aplicação). Reações sistêmicas, como febre, cefaleia e mialgia, ocorrem em menos de 10% dos vacinados, geralmente iniciando-se 6 a 12 horas após a aplicação e durando 1 a 2 dias. Em idosos, a vigilância deve ser rigorosa para diferenciar reações vacinais de infecções intercorrentes. No entanto, na ausência de sintomas respiratórios e com início logo após a vacinação, o diagnóstico de EAPV é o mais provável. A notificação deve ser feita via sistema SI-EAPV ou similar, contribuindo para a segurança do Programa Nacional de Imunizações (PNI).
Não. A vacina utilizada nas campanhas públicas no Brasil é composta por vírus fragmentados e inativados (mortos). Portanto, é biologicamente impossível que ela cause a doença gripe. Os sintomas de febre e mal-estar são decorrentes da resposta imunológica do organismo aos antígenos virais presentes na vacina.
A conduta é expectante e sintomática. Deve-se prescrever analgésicos e antitérmicos (como paracetamol ou dipirona), orientar repouso e hidratação. Como se trata de um evento adverso pós-vacinação (EAPV), é obrigatória a notificação no sistema de vigilância epidemiológica para monitoramento da segurança dos imunobiológicos.
A notificação compulsória de eventos adversos, mesmo os leves ou esperados como a febre, é essencial para a farmacovigilância. Isso permite que as autoridades de saúde monitorem a qualidade dos lotes das vacinas e identifiquem qualquer desvio de padrão ou aumento inesperado de reações em determinadas populações.
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