Etomidato: Indução Anestésica em Cardiopatas Graves

UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2022

Enunciado

Paciente de 68 anos, que se encontrava hospitalizado porque será submetido a cirurgia de urgência para ressecção de tumor intracraniano, apresentou rebaixamento do sensório e vômitos. Na avaliação pré-anestésica, foram identificadas cardiopatia isquêmica e insuficiência cardíaca congestiva, classe III, que vinham em tratamento regular. Que fármaco, dentre os abaixo, é o de escolha como indutor para a anestesia?

Alternativas

  1. A) Propofol.
  2. B) Fentanil.
  3. C) Etomidato.
  4. D) Dexmedetomidina.

Pérola Clínica

Paciente com ICC grave e cirurgia de urgência → Etomidato é o indutor anestésico de escolha pela estabilidade hemodinâmica.

Resumo-Chave

Em pacientes com cardiopatia grave ou instabilidade hemodinâmica, a escolha do indutor anestésico é crítica para evitar descompensação. O Etomidato é preferível por manter a estabilidade cardiovascular, minimizando a depressão miocárdica e a hipotensão, o que é vital em cirurgias de urgência, especialmente neurocirurgias.

Contexto Educacional

A escolha do agente indutor anestésico é uma decisão crítica, especialmente em pacientes com comorbidades significativas como cardiopatia isquêmica e insuficiência cardíaca congestiva (ICC) classe III, que serão submetidos a cirurgia de urgência. O objetivo principal é garantir a estabilidade hemodinâmica e minimizar os riscos de descompensação cardiovascular durante o procedimento. Pacientes com ICC têm uma reserva cardíaca limitada e são muito sensíveis a agentes que deprimem o miocárdio ou causam vasodilatação excessiva. O Etomidato destaca-se como o indutor anestésico de escolha nesses cenários devido ao seu perfil de segurança cardiovascular. Ele causa mínima depressão miocárdica e mantém a pressão arterial e o débito cardíaco, o que é vital para pacientes com função cardíaca comprometida. Embora possa causar supressão adrenocortical transitória, seus benefícios hemodinâmicos superam esse risco em situações de urgência e instabilidade. Outros agentes, como o Propofol, são potentes depressores cardiovasculares e podem induzir hipotensão grave, sendo contraindicados em pacientes com ICC avançada. Além da cardiopatia, o paciente apresenta um tumor intracraniano com rebaixamento do sensório, sugerindo aumento da pressão intracraniana. Nesse contexto, a manutenção da pressão de perfusão cerebral é fundamental. O Etomidato, ao preservar a estabilidade hemodinâmica, contribui indiretamente para a manutenção dessa perfusão, tornando-o uma escolha ainda mais apropriada para neurocirurgias de urgência em pacientes de alto risco cardiovascular. A monitorização rigorosa e o manejo proativo são essenciais para otimizar o desfecho desses pacientes complexos.

Perguntas Frequentes

Por que o Etomidato é o indutor de escolha em pacientes com cardiopatia grave?

O Etomidato é preferido devido à sua excelente estabilidade hemodinâmica. Ele causa mínima depressão miocárdica e mantém a pressão arterial, o que é crucial para pacientes com reserva cardiovascular limitada, como aqueles com insuficiência cardíaca congestiva grave.

Quais são os riscos do Propofol em pacientes com insuficiência cardíaca?

O Propofol é um potente depressor cardiovascular, podendo causar hipotensão significativa e depressão miocárdica. Em pacientes com insuficiência cardíaca, isso pode levar a uma descompensação grave do quadro, com risco de choque e piora da função cardíaca.

Quais considerações adicionais devem ser feitas para anestesia em cirurgia intracraniana?

Em cirurgias intracranianas, além da estabilidade hemodinâmica, é importante que o agente anestésico mantenha a perfusão cerebral e minimize o aumento da pressão intracraniana. O Etomidato, por não alterar significativamente o fluxo sanguíneo cerebral e o metabolismo, é uma boa opção nesse cenário.

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