Etomidato: Indução Anestésica Segura em Cardiopatas

UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2024

Enunciado

Homem, 75 anos de idade, será submetido a colectomia direita videolaparoscópica devido a tumor de cólon. Apresenta história de infarto do miocárdio tratado com colocação de stent. Os exames pré-operatórios demonstram PA = 110/55 mmHg, FC = 58 bpm, SatO2 = 96%. Ecocardiograma transtorácico apresentando FE 32%. Qual é hipnótico adequado para a indução da anestesia geral?

Alternativas

  1. A) Propofol.
  2. B) Midazolam.
  3. C) Etomidato.
  4. D) Cetamina

Pérola Clínica

FE < 35% → Etomidato é o hipnótico de escolha para indução anestésica devido à mínima repercussão hemodinâmica.

Resumo-Chave

Em pacientes com disfunção ventricular grave (FE 32%), a escolha do hipnótico para indução anestésica é crucial para evitar colapso hemodinâmico. O Etomidato é preferível por sua estabilidade cardiovascular, ao contrário do Propofol e Midazolam que podem causar hipotensão significativa, ou da Cetamina que pode aumentar a demanda miocárdica.

Contexto Educacional

A indução da anestesia geral em pacientes com disfunção ventricular esquerda grave, como a apresentada pelo paciente com FE de 32%, representa um desafio significativo devido ao risco elevado de instabilidade hemodinâmica. A escolha do agente hipnótico é um pilar fundamental para garantir a segurança do paciente e prevenir complicações cardiovasculares intraoperatórias. Compreender os perfis farmacológicos dos diferentes hipnóticos é essencial para o residente de anestesiologia e cirurgia. O Etomidato destaca-se por seu perfil de estabilidade hemodinâmica, com mínimos efeitos sobre a contratilidade miocárdica, frequência cardíaca e pressão arterial, tornando-o a escolha preferencial para pacientes com reserva cardíaca limitada. Outros agentes, como o Propofol e o Midazolam, embora amplamente utilizados, podem induzir hipotensão e depressão miocárdica significativas, exacerbando a disfunção cardíaca pré-existente. A Cetamina, por sua vez, pode aumentar a frequência cardíaca e a pressão arterial, o que pode ser deletério em pacientes com doença coronariana. O manejo anestésico desses pacientes exige uma avaliação pré-operatória minuciosa, otimização clínica e monitorização hemodinâmica rigorosa durante todo o procedimento. A escolha do Etomidato para indução é uma medida protetora que visa manter a perfusão de órgãos vitais e minimizar o estresse cardiovascular, contribuindo para um desfecho cirúrgico mais seguro.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais riscos da indução anestésica em pacientes com fração de ejeção reduzida?

Os principais riscos incluem hipotensão grave, choque cardiogênico, arritmias e isquemia miocárdica, devido à diminuição da reserva cardíaca e à sensibilidade aumentada aos efeitos depressores miocárdicos e vasodilatadores dos agentes anestésicos.

Por que o Etomidato é considerado o hipnótico mais seguro para pacientes com comprometimento cardiovascular?

O Etomidato causa mínima alteração na frequência cardíaca, pressão arterial e contratilidade miocárdica, mantendo a estabilidade hemodinâmica. Ele age principalmente no GABA, com poucos efeitos sobre o sistema cardiovascular, sendo ideal para pacientes de alto risco.

Quais hipnóticos devem ser evitados ou usados com extrema cautela em pacientes com disfunção ventricular grave?

Propofol e Midazolam devem ser usados com extrema cautela ou evitados, pois podem causar hipotensão significativa e depressão miocárdica. A Cetamina, embora mantenha a estabilidade hemodinâmica, pode aumentar a demanda de oxigênio miocárdico, sendo menos ideal em pacientes com doença coronariana.

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