Meningite Bacteriana em Lactentes: Agente Gram-Positivo

FELUMA/FCM-MG - Fundação Educacional Lucas Machado - Ciências Médicas (MG) — Prova 2023

Enunciado

Paciente do sexo feminino, 1 ano de idade, chega ao pronto atendimento devido ao quadro febril há 24 horas, irritabilidade, fotofobia e vômitos. Cartão de vacina em dia, de acordo com o programa nacional de imunização, sem antecedentes pessoais relevantes. Durante a avaliação apresentou crise convulsiva tônico-clônica generalizada. Aventada a hipótese de Meningite bacteriana é realizada punção lombar. No líquor são visualizadas bactérias gram-positivas na coloração de gram. Com relação ao quadro clínico descrito acima, assinale a alternativa que apresenta qual microrganismo é provavelmente o responsável pela Meningite bacteriana desta criança.

Alternativas

  1. A) Streptococcus pneumoniae.
  2. B) Neisseria meningitidis.
  3. C) Pseudomonas aeruginosa.
  4. D) Escherichia coli.

Pérola Clínica

Lactente 1 ano, vacinação em dia, meningite com Gram-positivo no LCR → Streptococcus pneumoniae é o mais provável.

Resumo-Chave

Em um lactente de 1 ano com vacinação em dia (incluindo vacinas contra Haemophilus influenzae tipo b e Neisseria meningitidis), a presença de bactérias Gram-positivas no LCR com quadro de meningite bacteriana aponta fortemente para Streptococcus pneumoniae como o agente etiológico mais provável.

Contexto Educacional

A meningite bacteriana em lactentes é uma condição grave que exige diagnóstico e tratamento urgentes. A etiologia varia com a idade e o estado vacinal da criança. No Brasil, o Programa Nacional de Imunizações (PNI) inclui vacinas importantes contra os principais agentes etiológicos, como Haemophilus influenzae tipo b (Hib), Streptococcus pneumoniae (vacina pneumocócica conjugada) e Neisseria meningitidis (vacina meningocócica C e ACWY). Em um lactente de 1 ano com vacinação em dia, a ocorrência de meningite bacteriana com bactérias Gram-positivas no líquor sugere fortemente Streptococcus pneumoniae. Isso ocorre porque a vacina Hib eliminou quase completamente a meningite por H. influenzae tipo b, e a vacina meningocócica C reduziu a incidência por esse sorotipo. Embora a vacina pneumocócica conjugada proteja contra os sorotipos mais comuns de S. pneumoniae, outros sorotipos não vacinais ainda podem causar doença invasiva. O quadro clínico em lactentes pode ser atípico, com irritabilidade, febre, vômitos e convulsões, sem os sinais meníngeos clássicos. A análise do LCR é crucial, e a identificação de cocos Gram-positivos, nesse contexto, direciona o tratamento empírico para cobrir S. pneumoniae, geralmente com Ceftriaxona ou Cefotaxima, associada a Vancomicina em áreas de alta resistência pneumocócica.

Perguntas Frequentes

Qual a importância da vacinação no perfil etiológico da meningite bacteriana em crianças?

A vacinação (Hib, pneumocócica, meningocócica) alterou drasticamente o perfil etiológico, reduzindo a incidência de meningites causadas pelos sorotipos vacinais. No entanto, ainda podem ocorrer casos por sorotipos não cobertos ou falha vacinal.

Por que Streptococcus pneumoniae é o agente mais provável nesse caso?

Em um lactente de 1 ano com vacinação em dia, as causas mais comuns como Haemophilus influenzae tipo b e Neisseria meningitidis (para alguns sorotipos) são menos prováveis. S. pneumoniae é um coco Gram-positivo e, apesar da vacina, ainda é uma causa importante de meningite, especialmente por sorotipos não cobertos.

Quais são as manifestações clínicas da meningite bacteriana em lactentes?

Em lactentes, os sintomas podem ser inespecíficos, incluindo febre, irritabilidade, letargia, recusa alimentar, vômitos, fontanela abaulada e, em casos graves, convulsões. Sinais meníngeos clássicos podem estar ausentes.

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