Santa Casa de São José dos Campos (SP) — Prova 2024
Na infecção urinária na infância. Qual agente etiológico é de maior predominância no sexo feminino?
ITU na infância, especialmente em meninas → Escherichia coli é o agente mais comum.
A Escherichia coli é o agente etiológico mais prevalente nas infecções do trato urinário (ITU) em crianças, respondendo por 75-90% dos casos, principalmente no sexo feminino. Sua predominância deve-se à virulência e à proximidade anatômica do ânus com a uretra, facilitando a ascensão bacteriana.
A infecção do trato urinário (ITU) é uma das infecções bacterianas mais comuns na infância, com uma prevalência maior em meninas, especialmente após o primeiro ano de vida. A etiologia da ITU em crianças é predominantemente bacteriana, e o conhecimento dos agentes mais frequentes é fundamental para o manejo empírico inicial e para a compreensão da patogênese da doença. A Escherichia coli é, de longe, o principal agente etiológico da ITU em crianças, sendo responsável por 75% a 90% dos casos, tanto em meninos quanto em meninas. Sua predominância é atribuída a fatores de virulência específicos, como as fímbrias P, que permitem a adesão às células uroteliais, e à sua presença abundante na flora intestinal. A anatomia feminina, com uma uretra mais curta e próxima ao ânus, facilita a ascensão de bactérias do trato gastrointestinal para o trato urinário. Outros patógenos como Klebsiella spp., Proteus mirabilis, Enterobacter spp. e Enterococcus faecalis também podem causar ITU, mas com menor frequência. O Proteus mirabilis é mais comumente associado a ITUs em meninos e pode estar relacionado à formação de cálculos renais. O tratamento empírico da ITU deve cobrir a E. coli, e a urocultura com antibiograma é essencial para ajustar a terapia e garantir a erradicação da infecção, prevenindo complicações como cicatrizes renais e doença renal crônica.
A Escherichia coli é o agente mais comum devido à sua capacidade de aderir ao epitélio urinário e à proximidade anatômica da uretra com o ânus, facilitando a contaminação. Em meninas, a uretra mais curta e a maior proximidade com o ânus aumentam ainda mais esse risco.
Além da E. coli, outros agentes comuns incluem Klebsiella pneumoniae, Proteus mirabilis (mais associado a meninos e cálculos), Enterobacter, Enterococcus e Pseudomonas aeruginosa (mais comum em ITU nosocomial ou em pacientes com anomalias do trato urinário).
A identificação do agente etiológico é crucial para guiar o tratamento antibiótico adequado e evitar a resistência. Além disso, a recorrência de ITUs por certos agentes pode indicar a necessidade de investigação de anomalias anatômicas ou funcionais do trato urinário.
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