Ascite e Cirrose: Importância da Paracentese Diagnóstica

SMS João Pessoa - Secretaria Municipal de Saúde de João Pessoa (PB) — Prova 2021

Enunciado

Paciente de 55 anos, etilista crônico, é trazido pelo SAMU com quadro de rebaixamento de nível de consciência, icterícia, ascite e edema de MMII. É morador de rua, sem acompanhantes e a anamnese é prejudicada pela falta de informações adequadas. Sobre este caso, é correto:

Alternativas

  1. A) A cirrose hepática é responsável pela maior parte das ascites, que implica em bom prognóstico para o doente.
  2. B) A tuberculose também é causa comum de ascite e está relacionada a gradiente soro ascite de albumina maior que 1,1.
  3. C) Diuréticos de alça, tiazídicos e poupadores de potássio são os de primeira escolha no tratamento.
  4. D) A paracentese diagnóstica é mandatória em todos os casos de ascite que sejam admitidos no hospital.

Pérola Clínica

Ascite em paciente internado → paracentese diagnóstica é mandatória para excluir PBE.

Resumo-Chave

Em pacientes com ascite que são admitidos no hospital, a paracentese diagnóstica é um procedimento mandatório para investigar a etiologia da ascite e, crucialmente, para excluir peritonite bacteriana espontânea (PBE), uma complicação grave e comum em cirróticos que pode ser assintomática.

Contexto Educacional

A ascite é o acúmulo de líquido na cavidade peritoneal, sendo a cirrose hepática a causa mais comum, especialmente em pacientes etilistas crônicos. É um sinal de descompensação da doença hepática e está associada a um prognóstico reservado. Outras causas incluem insuficiência cardíaca, neoplasias e tuberculose peritoneal. A fisiopatologia da ascite na cirrose envolve hipertensão portal, hipoalbuminemia e retenção de sódio e água. A paracentese diagnóstica é um procedimento crucial para determinar a etiologia da ascite e, mais importante, para diagnosticar a peritonite bacteriana espontânea (PBE), uma infecção grave do líquido ascítico que ocorre em pacientes cirróticos e pode ser fatal se não tratada prontamente. A paracentese diagnóstica é mandatória em todos os pacientes com ascite que são admitidos no hospital, independentemente da presença de sintomas de infecção. A análise do líquido ascítico inclui contagem celular (com diferencial), cultura, dosagem de proteínas e albumina para cálculo do GASA. O tratamento da ascite envolve restrição de sódio e diuréticos, mas a PBE requer antibioticoterapia empírica imediata.

Perguntas Frequentes

Quais são as indicações para a paracentese diagnóstica em pacientes com ascite?

A paracentese diagnóstica é indicada para todos os pacientes com ascite de nova apresentação, aqueles com ascite preexistente que são internados, e qualquer paciente com ascite que apresente deterioração clínica (febre, dor abdominal, encefalopatia, sangramento gastrointestinal, hipotensão, insuficiência renal).

O que é o Gradiente Soro-Ascite de Albumina (GASA) e qual sua utilidade?

O GASA é a diferença entre a albumina sérica e a albumina do líquido ascítico. Um GASA ≥ 1,1 g/dL sugere ascite por hipertensão portal (ex: cirrose, insuficiência cardíaca), enquanto um GASA < 1,1 g/dL sugere outras causas (ex: tuberculose, carcinomatose peritoneal).

Quais são os critérios diagnósticos para Peritonite Bacteriana Espontânea (PBE)?

O diagnóstico de PBE é feito pela contagem de polimorfonucleares (PMN) no líquido ascítico ≥ 250 células/mm³, na ausência de uma fonte intra-abdominal de infecção cirúrgica. A cultura do líquido ascítico é frequentemente positiva para bactérias entéricas.

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