Ética em Transplantes: Vedações e Permissões para Médicos

Santa Casa de Campo Grande (MS) — Prova 2025

Enunciado

Com relação aos aspectos éticos e técnicos da captação de órgãos, é vedado ao médico todas as alternativas abaixo, exceto:

Alternativas

  1. A) Participar do processo de diagnóstico da morte ou da decisão de suspender meios artificiais para prolongar a vida do possível doador, quando pertencente à equipe do transplante.
  2. B) Deixar de esclarecer o doador, o receptor ou seus representantes legais sobre os riscos decorrentes de exames, intervenções cirúrgicas e outros procedimentos nos casos de transplantes de órgãos.
  3. C) Retirar órgão de doador vivo quando este for juridicamente incapaz, mesmo se houver autorização de seu representante legal, exceto nos casos permitidos e regulamentados em lei.
  4. D) Saber a identidade do doador falecido, quando pertencente à equipe de transplantes.

Pérola Clínica

Ética em transplantes → A equipe de captação/transplante não pode participar do diagnóstico de morte encefálica do doador.

Resumo-Chave

A vedação de participação da equipe transplantadora no diagnóstico de morte encefálica é um pilar ético para evitar conflitos de interesse, garantindo a isenção do processo. Embora o anonimato entre doador falecido e receptor seja a regra, não é vedado à equipe de transplante conhecer a identidade do doador.

Contexto Educacional

A legislação e a ética médica que regem a doação e o transplante de órgãos no Brasil, fundamentadas na Lei nº 9.434/97 e em resoluções do Conselho Federal de Medicina (CFM), estabelecem diretrizes rigorosas para proteger todos os envolvidos e garantir a lisura do processo. A principal preocupação é evitar conflitos de interesse que possam comprometer a autonomia e a segurança do doador e do receptor. Um dos pontos centrais é a separação obrigatória entre a equipe responsável pelo diagnóstico de morte encefálica e a equipe que realizará o transplante. Essa medida assegura que a constatação do óbito seja um ato médico isento, focado unicamente na condição clínica do paciente, sem qualquer pressão ou interesse secundário na obtenção do órgão. A participação de um membro da equipe transplantadora nesse diagnóstico é uma falta ética grave. Outras vedações importantes incluem a proibição da retirada de órgãos de doadores vivos juridicamente incapazes (com exceções muito restritas e regulamentadas, como a doação de medula óssea) e o dever de informar exaustivamente doadores e receptores sobre todos os riscos. Curiosamente, não há vedação para que a equipe de transplante saiba a identidade do doador falecido, embora o princípio do anonimato seja mantido na relação com o receptor e sua família.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais vedações éticas para a equipe de transplante?

É vedado à equipe de transplante participar do diagnóstico de morte encefálica, participar da decisão de suspender meios artificiais de vida do doador, deixar de esclarecer os riscos aos envolvidos e retirar órgãos de doador vivo juridicamente incapaz, salvo exceções previstas em lei.

Por que a equipe de transplante não pode participar do diagnóstico de morte encefálica?

Para evitar um conflito de interesses. A separação das equipes garante que o diagnóstico de morte seja realizado de forma imparcial e focado exclusivamente no bem-estar do potencial doador, sem qualquer influência do interesse em realizar o transplante.

Como é regulamentada a doação por doadores vivos incapazes?

A regra geral é a proibição. A lei permite exceções específicas, como a doação de medula óssea entre irmãos, desde que haja autorização judicial e consentimento dos pais ou responsáveis legais, sempre visando o melhor interesse de ambas as partes.

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