ENARE/ENAMED — Prova 2023
Levado por um vizinho, um paciente de 68 anos, previamente lúcido, foi admitido em um hospital com rebaixamento do nível de consciência. Durante a investigação, foi sugerido provável diagnóstico de sepse grave de foco abdominal devido a uma diverticulite aguda perfurada. O paciente permaneceu torporoso e, após a equipe tentar entrar em contato com a família, sem sucesso, o paciente foi encaminhado à cirurgia. O médico cirurgião indicou uma retossigmoidectomia à Hartmann – com colostomia terminal. Qual é a melhor conduta diante dessa situação?
Urgência/emergência + paciente inconsciente + risco de vida = priorizar beneficência e agir sem consentimento familiar.
Em situações de urgência ou emergência que representam risco iminente de vida para um paciente inconsciente e sem familiares presentes, o médico deve agir com base no princípio da beneficência, realizando o procedimento necessário para salvar a vida do paciente, mesmo sem consentimento formal.
A prática médica frequentemente confronta dilemas éticos, especialmente em situações de urgência e emergência. A autonomia do paciente é um pilar fundamental, mas em casos de inconsciência e risco de vida, outros princípios éticos, como a beneficência e a não maleficência, assumem primazia. A capacidade de tomar decisões rápidas e eticamente embasadas é crucial para o residente. No cenário de um paciente com sepse grave por diverticulite perfurada, a intervenção cirúrgica é vital. A ausência de familiares e a incapacidade do paciente de expressar sua vontade não devem atrasar um procedimento que pode salvar sua vida. A confecção de um estoma, embora impactante, pode ser a melhor estratégia para o controle da infecção e a estabilização do quadro. A conduta correta é proceder com a cirurgia necessária, incluindo a colostomia se for a melhor opção técnica para o tratamento da sepse e da perfuração, priorizando a vida do paciente. É imperativo registrar detalhadamente no prontuário a justificativa da decisão, a urgência do caso e a impossibilidade de obter o consentimento, garantindo a transparência e a conformidade ética.
O princípio da beneficência, que preconiza fazer o bem ao paciente, e o da não maleficência, que orienta a evitar o mal. Em situações de risco de vida, a prioridade é salvar a vida do paciente, mesmo sem o consentimento formal.
Não. Em casos de urgência ou emergência com risco iminente de morte e paciente inconsciente, a equipe médica tem o dever ético e legal de proceder com o tratamento necessário sem aguardar a família ou o consentimento formal.
É crucial documentar detalhadamente no prontuário a situação clínica, a urgência do procedimento, a impossibilidade de obter o consentimento (do paciente ou familiares) e a justificativa para a conduta adotada, com a assinatura de dois médicos.
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