Ética Médica: Uso Racional da Ultrassonografia Obstétrica

UEPA - Universidade do Estado do Pará - Santarém — Prova 2017

Enunciado

Na área da saúde, a ética é utilizada na pesquisa clínica, no desenvolvimento das atividades e nas relações com as pessoas. Deve-se ter cuidado para não banalizar os aspectos éticos, quando se realiza solicitações, confundindo ética, moral e direito. Considerando tais aspectos, a alternativa correta para essa situação é:

Alternativas

  1. A) o prontuário médico é de propriedade e responsabilidade exclusiva da Instituição que os detém, e as informações nele contidas estão sob sigilo.
  2. B) o exame de ultrassonografia obstétrica embora seja procedimento frequentemente solicitado na gravidez, e cada vez mais sofisticado e caro, seu uso rotineiro não é efetivo sobre a morbimortalidade materna ou perinatal.
  3. C) com o aumento da ultrassonografia no pré- natal houve concomitantemente o aumento de outros procedimentos de tecnologia leve como o exame de mamas e colpocitológico.
  4. D) na APS não há limites da interferência da equipe de saúde da família no estilo de vida das famílias ou das pessoas.
  5. E) o médico deve estar em processo de educação permanente a fim de conhecer os medicamentos mais atuais que possa prescrever, mesmo que a eficiência seja igual a dos mais baratos e já testados há mais tempo.

Pérola Clínica

Ultrassonografia obstétrica rotineira ≠ redução morbimortalidade materna/perinatal, levantando questões éticas e de custo-benefício.

Resumo-Chave

A ética médica e a bioética orientam o uso racional de tecnologias. A ultrassonografia obstétrica, embora valiosa em indicações específicas, não demonstrou benefício na redução da morbimortalidade quando realizada rotineiramente em gestações de baixo risco, levantando questões sobre custo-benefício e medicalização da gravidez.

Contexto Educacional

A ética médica e a bioética são pilares fundamentais na prática clínica, guiando as decisões dos profissionais de saúde em todas as áreas, incluindo a obstetrícia. Elas se manifestam na pesquisa, no desenvolvimento de atividades e nas relações interpessoais, buscando sempre o bem-estar do paciente e o uso racional dos recursos. É crucial diferenciar ética, moral e direito para evitar a banalização de conceitos e garantir uma prática responsável. No contexto da gravidez, a ultrassonografia obstétrica é um procedimento amplamente utilizado e de grande valor diagnóstico em diversas situações. Contudo, a questão levanta um ponto importante sobre o seu uso rotineiro. Apesar de ser um exame sofisticado e frequentemente solicitado, estudos e diretrizes de saúde pública indicam que sua realização de forma indiscriminada em gestações de baixo risco não resulta em uma redução significativa da morbimortalidade materna ou perinatal. Isso implica uma reflexão sobre a efetividade e o custo-benefício de intervenções. A compreensão desse princípio é vital para residentes e profissionais, pois ressalta a importância da medicina baseada em evidências. A escolha de procedimentos deve ser guiada não apenas pela disponibilidade ou popularidade, mas pela sua capacidade comprovada de melhorar desfechos clínicos, otimizando recursos e evitando a medicalização desnecessária da gestação, sempre com foco na segurança e no benefício real para a mãe e o bebê.

Perguntas Frequentes

Qual o papel da ética médica na solicitação de exames complementares?

A ética médica exige que a solicitação de exames seja baseada em evidências de benefício clínico, evitando a medicalização desnecessária, o uso excessivo de recursos e a exposição do paciente a procedimentos sem real indicação.

A ultrassonografia obstétrica rotineira é recomendada em todas as gestações?

Embora comum, a ultrassonografia obstétrica rotineira em gestações de baixo risco não demonstrou reduzir a morbimortalidade materna ou perinatal, segundo diversas diretrizes, que priorizam sua indicação para situações clínicas específicas.

Quais são os riscos da medicalização excessiva da gravidez?

A medicalização excessiva pode levar a intervenções desnecessárias, aumento da ansiedade materna, custos elevados e desvio de recursos de áreas com maior impacto na saúde materno-infantil, sem benefícios comprovados.

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