Esvaziamento Cervical Radical: Indicações e Estruturas

USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2024

Enunciado

Homem com neoplasia maligna de boca T2N3N0 foi submetido à resseção do tumor primário e esvaziamento cervical como mostra a imagem a seguir: Com base nessas informações, assinale a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) Foi feito esvaziamento cervical eletivo.
  2. B) Foi feito esvaziamento cervical radical.
  3. C) Foi feito esvaziamento cervical radical modificado.
  4. D) Foi feito esvaziamento cervical supraomohioideo.

Pérola Clínica

Radical = Remoção dos níveis I-V + M. Esternocleidomastoideo + V. Jugular Interna + Nervo XI.

Resumo-Chave

O esvaziamento cervical radical clássico envolve a ressecção de todos os linfonodos dos níveis I a V, além de três estruturas não linfáticas fundamentais.

Contexto Educacional

O manejo do pescoço é um dos aspectos mais críticos no tratamento do câncer de cabeça e pescoço. O esvaziamento cervical radical clássico é indicado em situações de doença linfonodal extensa (estadiamento N3) ou quando há evidência de invasão de estruturas adjacentes que impeçam a preservação funcional. A morbidade associada à ressecção do nervo acessório, como a 'síndrome do ombro caído' (dor e limitação da abdução do braço), impulsionou a adoção de técnicas modificadas. No entanto, a compreensão da anatomia cirúrgica dos níveis cervicais e das estruturas vasculares e nervosas permanece essencial para o cirurgião oncológico garantir o controle regional da doença.

Perguntas Frequentes

Quais estruturas não linfáticas são removidas no esvaziamento radical?

No esvaziamento cervical radical clássico (descrito por Crile), além dos linfonodos dos níveis I a V, são removidas obrigatoriamente três estruturas: o músculo esternocleidomastoideo (SCM), a veia jugular interna (VJI) e o nervo acessório espinal (XI par craniano). A remoção dessas estruturas visa garantir a radicalidade oncológica em casos de invasão direta ou doença linfonodal volumosa.

Qual a diferença entre esvaziamento radical e radical modificado?

O esvaziamento cervical radical modificado remove os mesmos grupos linfonodais (níveis I a V) que o radical clássico, porém preserva uma ou mais estruturas não linfáticas. O Tipo I preserva o nervo acessório; o Tipo II preserva o nervo acessório e a veia jugular interna; o Tipo III preserva o nervo acessório, a veia jugular interna e o músculo esternocleidomastoideo.

Quando o esvaziamento cervical é considerado seletivo?

O esvaziamento é chamado de seletivo quando preserva um ou mais grupos linfonodais que normalmente seriam removidos no esvaziamento radical. Exemplos comuns incluem o esvaziamento supraomohioideo (níveis I, II e III), frequentemente utilizado em tumores de cavidade oral com pescoço clinicamente negativo (N0).

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