PUC Sorocaba - Pontifícia Universidade Católica de Sorocaba (SP) — Prova 2017
Este estudo teve o objetivo de determinar o uso de medicamentos por motoristas de caminhão e identificar as características profissionais associadas. Para a sua realização, conduziu-se um estudo com motoristas de caminhão estacionados no Pátio de Triagem do Porto de Paranaguá, Paraná, Brasil. Realizou-se uma entrevista com obtenção de dados socioeconômicos, problemas de saúde, condições de trabalho e uso de medicamentos. Dos motoristas avaliados (n = 665), 21,1% referiram utilizar algum medicamento continuamente, com destaque para o captopril (10,7%), metformina (10,3%), omeprazol (6,2%) e sinvastatina (6,2%). Motoristas com dezesseis anos ou mais de experiência profissional (RP 1,67; IC 95% 1,11-2,51), proprietários do próprio caminhão (RP 1,38; IC 95% 1,03-1,86) e que não possuíam vínculo empregatício formal (RP 1,49; IC 95% 1,11-2,00) apresentaram maior prevalência de uso de medicamentos. Girotto, E. Qual é o modelo deste estudo epidemiológico?
Estudo Transversal = 'Fotografia' da população → Mede prevalência e associações simultâneas.
Estudos transversais analisam a exposição e o desfecho simultaneamente em uma população definida, sendo ideais para determinar a prevalência de condições de saúde.
O estudo transversal é um pilar da epidemiologia descritiva e analítica. Ao avaliar motoristas de caminhão em um ponto específico (Pátio de Triagem), o pesquisador consegue identificar o perfil de saúde e o uso de fármacos daquela categoria profissional de forma rápida e com custo relativamente baixo. Este tipo de desenho é essencial para o planejamento de políticas de saúde pública, pois identifica as necessidades imediatas de uma população. No caso apresentado, a identificação de que motoristas autônomos e mais experientes usam mais medicamentos contínuos (como anti-hipertensivos e hipoglicemiantes) sugere uma carga de doenças crônicas associada às condições de trabalho prolongadas e à falta de vínculo formal, o que pode orientar intervenções específicas de medicina do trabalho e prevenção de riscos rodoviários.
A principal característica do estudo transversal (ou seccional) é que a coleta de dados sobre a exposição e o desfecho ocorre em um único momento no tempo. Ele funciona como uma 'fotografia' de uma população ou amostra, permitindo calcular a prevalência de doenças ou fatores de risco. Diferente dos estudos longitudinais, não há seguimento dos participantes ao longo do tempo, o que limita a capacidade de estabelecer relações de causalidade temporal direta.
A Razão de Prevalência é a medida de associação preferencial em estudos transversais. Ela compara a prevalência de um desfecho entre o grupo exposto e o grupo não exposto. No estudo citado, a RP foi utilizada para demonstrar que motoristas com mais tempo de profissão tinham uma prevalência maior de uso de medicamentos. É uma alternativa ao Odds Ratio (OR), sendo mais fácil de interpretar em estudos onde a prevalência do desfecho é alta.
A maior limitação é o viés de causalidade reversa, pois, como exposição e desfecho são avaliados simultaneamente, nem sempre é possível determinar o que veio primeiro. Além disso, estudos transversais são ineficientes para estudar doenças raras ou de curta duração, pois captam apenas os casos existentes no momento da coleta (casos prevalentes), podendo sub-representar casos que se curam ou evoluem para óbito rapidamente.
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