USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2020
A força isocinética foi medida em 200 homens e mulheres saudáveis de 45 a 78 anos de idade para examinar a relação entre força muscular, idade e composição corporal. O pico de torque foi medido a 60 e 240 graus/s no joelho e a 60 e 180 graus/s no cotovelo usando o dinamômetro Cybex II®. A massa isenta de gordura (MIG) foi estimada por pesagem hidrostática em todos os sujeitos, e a mesma massa muscular (MM) foi determinada em 141 indivíduos a partir da excreção de creatinina urinária. Observou-se que a MIG e MM foram menores no grupo dos mais velhos (p<0,001). A força de todos os grupos musculares foi menor em mulheres e nos mais velhos (p<0,006), mas quando ajustada para MIG ou MM, estas diferenças não se mostraram significantes. Estes dados sugerem que o MM é um principal determinante das diferenças relacionadas à idade e sexo na força muscular esquelética. (Journal of Applied Physiology 7 (2), 644-50) Qual é o delineamento deste estudo?A) Transversal.B) Coorte.C) Caso-controle.D) Experimental.
Avaliação de exposição e desfecho simultâneos = Estudo Transversal.
Estudos transversais (cross-sectional) medem a prevalência e associações em um único ponto no tempo, sendo ideais para gerar hipóteses, mas limitados para causalidade.
Na hierarquia das evidências, os estudos transversais ocupam uma posição fundamental para a saúde pública e para a geração de hipóteses clínicas. Ao analisar a relação entre massa muscular (MIG/MM) e força em diferentes faixas etárias de forma pontual, o pesquisador busca padrões de associação que podem ser posteriormente testados em desenhos mais robustos, como ensaios clínicos ou coortes prospectivas. A correção estatística para variáveis de confusão (como o ajuste para MIG ou MM mencionado no texto) é uma técnica comum para tentar isolar o efeito de uma variável de interesse (idade/sexo) sobre o desfecho (força). Compreender o delineamento é o primeiro passo para a leitura crítica de qualquer artigo científico, permitindo ao médico residente avaliar a força das conclusões apresentadas e sua aplicabilidade na prática clínica baseada em evidências.
O estudo transversal, ou seccional, realiza a coleta de dados de exposição e desfecho em um único momento (uma 'fotografia' da população). Não há seguimento dos indivíduos ao longo do tempo, o que impede a determinação de incidência (casos novos) ou a confirmação de uma relação de causa e efeito temporal direta.
O estudo mediu a força muscular, idade e composição corporal em 200 indivíduos para examinar a relação entre essas variáveis naquele momento específico. Como todas as medidas foram feitas simultaneamente e não houve acompanhamento prospectivo para observar mudanças ao longo dos anos, o desenho é puramente transversal.
As vantagens incluem baixo custo, rapidez e utilidade para descrever a prevalência de condições e planejar serviços de saúde. A principal limitação é o viés de causalidade reversa (não se sabe se a exposição veio antes do desfecho) e a incapacidade de medir riscos reais de incidência.
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