SES-RJ - Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2026
Um estudo transversal encontrou prevalência de depressão em 15% dos atendidos em unidade básica de saúde. A partir desses dados, qual medida NÃO pode ser obtida com validade?
Estudo transversal = foto instantânea; mede PREVALÊNCIA, não mede INCIDÊNCIA nem RISCO RELATIVO.
Estudos transversais avaliam exposição e desfecho simultaneamente, permitindo calcular a Razão de Prevalência, mas são incapazes de determinar a incidência necessária para o cálculo do Risco Relativo.
Os estudos transversais (ou de prevalência) são fundamentais para o planejamento em saúde pública, pois descrevem a carga de doenças em uma população e geram hipóteses etiológicas. Eles são rápidos e de baixo custo, permitindo analisar múltiplas exposições e desfechos ao mesmo tempo. Contudo, a ausência de seguimento temporal impede a distinção entre fatores de risco e fatores de prognóstico (viés de sobrevivência). Na prática das provas de residência, é crucial lembrar que: Transversal → Prevalência/Razão de Prevalência; Coorte → Incidência/Risco Relativo; Caso-Controle → Odds Ratio. A impossibilidade de calcular o Risco Relativo em dados transversais é um tema recorrente em questões de medicina preventiva e bioestatística.
O Risco Relativo (RR) é uma medida baseada na Incidência (casos novos surgindo ao longo do tempo). Para calculá-lo, é necessário acompanhar um grupo de indivíduos inicialmente sadios e observar quem desenvolve a doença (estudos de coorte). Como o estudo transversal é uma 'fotografia' de um único momento, ele identifica apenas casos existentes (Prevalência), sem saber quando a doença começou ou se a exposição precedeu o desfecho, impossibilitando o cálculo de risco real.
A Razão de Prevalência (RP) compara a proporção de pessoas doentes entre expostos e não expostos em um momento específico, sendo a medida de associação típica do estudo transversal. O Risco Relativo (RR) compara a probabilidade de desenvolver a doença ao longo do tempo entre esses grupos. Embora matematicamente semelhantes, a RP lida com estados (estar doente), enquanto o RR lida com eventos (ficar doente).
A causalidade reversa ocorre quando não se consegue determinar se a exposição causou o desfecho ou se o desfecho causou a exposição, já que ambos são coletados simultaneamente. Por exemplo, em um estudo transversal, pode-se encontrar associação entre sedentarismo e depressão, mas não se pode afirmar se o sedentarismo levou à depressão ou se a depressão fez com que o indivíduo se tornasse sedentário. Essa é a principal limitação para inferência causal nesse design.
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