UFCSPA - Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (RS) — Prova 2022
Objetivo: Analisar a associação da presença de acompanhante no pré-natal e no parto com a qualidade da assistência recebida por usuárias do Sistema Único de Saúde (SUS). Métodos: Estudo com puérperas que realizam pré-natal e parto pelo SUS em Santa Catarina, Brasil, em 2019, entrevistadas em até 48 horas após o parto. Estimaram-se as razões de prevalências mediante regressão de Poisson. Resultados: Foram entrevistadas 3.580 puérperas. No pré-natal, a presença de acompanhante associou-se positivamente ao recebimento de orientações pelos profissionais da saúde (RP=1,27 - IC95% 1,08;1,50) e à construção do plano de parto (RP=1,51 - IC95% 1,15;1,97). No parto, a presença de acompanhante associou-se a maior recebimento de analgesia (RP=2,89 - IC95% 1,40;5,97), manobra não farmacológica para alívio da dor (RP=1,96 - IC95% 1,44;2,65), escolha da posição para o parto (RP=1,63 - IC95% 1,24;2,16) e menor probabilidade de ser amarrada (RP=0,47 - IC95% 0,35;0,63). Conclusão: A presença de acompanhante no pré-natal e no parto mostrou-se associada à melhor qualidade da assistência.Em relação ao resumo ao estudo exposto, analisar os itens abaixo: I. O estudo apresentado mede a incidência da condição investigada e, por essa razão, é frequentemente chamado de estudo de incidência. II. No estudo apresentado, as medidas de exposição e efeito são realizadas ao mesmo tempo. Por esse motivo, não é possível definir a causalidade. III. Esse tipo de estudo é útil para avaliar as necessidades em saúde da população. Está(ão) CORRETO(S):
Estudo transversal = Mede prevalência + Exposição/Efeito simultâneos → Sem nexo causal.
Estudos transversais capturam uma 'fotografia' do momento, sendo ideais para estimar a carga de doenças e planejar serviços de saúde, mas limitados pela impossibilidade de estabelecer temporalidade.
O estudo transversal, também conhecido como seccional ou de prevalência, é um pilar da epidemiologia descritiva. Ele se caracteriza por realizar observações em um único momento, funcionando como um censo de uma amostra específica. No caso apresentado, o uso da regressão de Poisson para calcular a Razão de Prevalência (RP) é uma técnica estatística comum para analisar dados binários em estudos transversais quando o desfecho é frequente. A utilidade clínica reside na capacidade de identificar associações e necessidades de saúde, embora a interpretação deva ser cautelosa quanto à direção da associação. A distinção entre incidência (casos novos/tempo) e prevalência (casos totais/ponto no tempo) é crucial para o raciocínio epidemiológico correto.
O estudo transversal avalia a exposição e o desfecho simultaneamente em um único ponto no tempo, fornecendo dados de prevalência. Já o estudo de coorte acompanha indivíduos ao longo do tempo, partindo da exposição para observar o surgimento de novos casos (desfecho), permitindo o cálculo da incidência e o estabelecimento de uma relação temporal clara entre causa e efeito.
Devido ao viés de temporalidade ou 'viés do ovo e da galinha'. Como a coleta de dados sobre exposição e desfecho ocorre ao mesmo tempo, não se pode afirmar com certeza se a exposição precedeu o desfecho ou se o desfecho alterou a exposição, impedindo a determinação de uma relação de causa e efeito direta.
É indicado para descrever o perfil epidemiológico de uma população, identificar a prevalência de doenças crônicas ou fatores de risco e avaliar a cobertura de serviços de saúde. É uma ferramenta fundamental para o planejamento em saúde pública e para gerar hipóteses que serão testadas em estudos longitudinais ou experimentais.
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