SEMUSA (SMS) Macaé — Prova 2019
Saúde da Mulher / Endometriose. A endometriose é uma doença crônica provocada pela migração do tecido que reveste a cavidade uterina, o endométrio, para outras partes do corpo, principalmente para o abdome, além de ovário, ligamentos uterinos, bexiga e intestino. As mudanças ocorridas na vida da mulher tem favorecido o aumento da endometriose. A mulher esta menstruando mais vezes, pois o início da menstruação tem sido mais precoce e as gravidezes mais tardias com menor número de filhos. Além disso existem os fatores ambientais, como a combustão de poluentes que acumulam toxinas (dioxina) nos tecidos gordurosos da mulher, e as tendências genéticas de parentes de primeiro grau, que também são observadas. Renata Garcia Nerys, da cidade de Araucária, no Estado do Paraná, recebeu o diagnóstico de endometriose em 2013, após sofrer episódios de dores abdominais intensas e cólicas fortes. “A endometriose prejudica muito minha rotina de trabalho, pois sinto dores o tempo todo e não dá para ficar nem muito em pé, nem muito sentada. Em casa, na minha rotina diária, não aguento fazer tanto esforço, durante e depois da relação sexual também sinto muitas dores, uns dias mais e outros menos, parece que tem dias que tudo dói mais. O meu intestino não funciona mais legal, tenho muita dificuldade nessa parte”, conta Renata. Os sintomas da doença podem surgir na adolescência. É o diagnóstico mais comum de dor pélvica e cólica menstrual nesta faixa etária. Queixas de cólicas menstruais progressivas e/ou incapacitantes, dor profunda na relação sexual e dor pélvica fora do período menstrual são indicativas de endometriose. Outras queixas como diarreia e/ou constipação intestinal e/ou modificação da consistência das fezes no período pré-menstrual e na menstruação. E dor ou sangramento ao evacuar ou urinar na menstruação. Vale ressaltar que a endometriose é uma das principais causas de infertilidade na mulher. A instalação da doença nos ovários pode provocar o aparecimento de um cisto denominado endometrioma. Este cisto pode atingir grandes proporções e comprometer o futuro reprodutivo da. Sobre a temática acima, foram feitos os seguintes estudos: ESTUDO 1: Um grupo de pesquisadores analisou os dados do poluente dioxina nos principais pontos industriais de Macaé durante 10 anos. Após, correlacionou os dados com os de internações hospitalares para cirurgia de endometriose nesse período. ESTUDO 2: Um grupo de mulheres pertencentes a um ambulatório geral de ginecologia foram selecionadas para um estudo. Dosou-se os níveis de dioxinas nas mesmas e dividiu-se as 2 em grupos: mais ou menos expostas a dioxinas. No mesmo dia da dosagem, foram feitas ressonâncias classificando-as como tendo ou não endometriose. O ESTUDO 1 é um estudo:
Dados agregados (população) = Estudo Ecológico; Seguimento individual = Coorte.
Estudos ecológicos utilizam dados de populações ou grupos geográficos para correlacionar exposição e desfecho, sendo ideais para gerar hipóteses iniciais em saúde pública.
A epidemiologia fornece as ferramentas para entender a distribuição de doenças nas populações. O Estudo 1 descrito na questão utiliza dados secundários de poluição e internações em uma cidade (Macaé) ao longo de 10 anos, o que caracteriza classicamente um estudo ecológico, apesar do gabarito indicar coorte (possível inconsistência da banca ou interpretação de seguimento temporal como coorte populacional). Compreender os desenhos de estudo é vital para a leitura crítica de artigos científicos. Enquanto estudos ecológicos são excelentes para avaliar intervenções de saúde pública e políticas ambientais, estudos de coorte e ensaios clínicos são necessários para confirmar associações biológicas diretas entre poluentes e patologias como a endometriose.
Um estudo ecológico, também chamado de estudo de agregados, é um desenho de pesquisa onde a unidade de análise não é o indivíduo, mas sim grupos de pessoas, geralmente definidos por critérios geográficos (cidades, países) ou temporais. Ele busca correlacionar a frequência de uma exposição com a frequência de um desfecho nesses grupos. É um estudo observacional, rápido e de baixo custo, muito utilizado para formular hipóteses etiológicas.
A principal limitação é a 'falácia ecológica' (ou viés de agregação), que ocorre quando se tenta inferir uma associação causal em nível individual a partir de dados coletados em nível populacional. O fato de uma cidade com alta poluição ter altas taxas de uma doença não garante que os indivíduos doentes foram os mesmos expostos à poluição. Além disso, há dificuldade em controlar variáveis de confusão.
Diferente do ecológico, o estudo de coorte é um estudo observacional longitudinal onde a unidade de análise é o indivíduo. Um grupo de pessoas expostas a um fator e outro grupo não exposto são acompanhados ao longo do tempo para observar a incidência do desfecho. Ele permite calcular o Risco Relativo e estabelecer uma sequência temporal clara entre exposição e doença, o que o torna superior ao ecológico para inferência causal.
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