UNITAU - Universidade de Taubaté (SP) — Prova 2025
A Atenção Primária em Saúde (APS) é essencial para um efetivo, eficiente e mais equitativo sistema de saúde para todas as pessoas, incluindo aquelas que vivem com o Vírus da Imunodeficiência Medicina Preventiva e Social Humana/Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (HIV/AIDS). Diante disso, um estudo avaliou o impacto da exposição a um dos maiores programas de APS de base comunitária do mundo, o programa brasileiro Estratégia Saúde da Família (ESF), sobre incidência e mortalidade por AIDS. O Estudo de coorte retrospectivo, realizado no Brasil, de 1º de janeiro de 2007 a 31 de dezembro de 2015, realizou a avaliação do impacto da exposição à ESF em uma coorte de 3,4 milhões de pessoas com 13 anos ou mais de idade, de baixa renda, com diagnóstico de AIDS e registros de óbitos relacionados à AIDS. Foi avaliado o impacto da ESF na incidência de AIDS e mortalidade, bem como desses desfechos comparados entre residentes de municípios com baixa ou nenhuma cobertura ESF (não expostos) com aqueles de municípios com 100% de cobertura da ESF (expostos). Também se estimou o impacto da ESF por sexo e idade. Resultados: 100% de cobertura ESF e incidência de AIDS (RR: 0,76; IC 95%: 0,68 a 0,84) e mortalidade (RR: 0,68; IC95%: 0,56 a 0,82). O impacto da ESF na incidência de AIDS em mulheres e homens foi, respectivamente, de RR = 0,70 e de RR=0,79; quanto à idade, o impacto da ESF na incidência em pessoas com 35 anos de idade foi de RR: 0,62; IC 95%: 0,53 a 0,72 e na mortalidade foi de RR: 0,56; IC 95%: 0,43 a 0,72. A ausência de ajuste para alguns fatores de confusão (por exemplo, comportamento sexual) foi uma limitação importante deste estudo.Com relação ao estudo de coorte retrospectivo, pode-se afirmar que:
Coorte retrospectivo = mede incidência e mortalidade, acompanhando do passado ao presente.
Estudos de coorte retrospectivos (ou históricos) utilizam dados já existentes para acompanhar um grupo de indivíduos ao longo do tempo, do passado até o presente, permitindo calcular medidas de incidência e mortalidade de desfechos, como a AIDS.
Os estudos de coorte são delineamentos observacionais analíticos que acompanham grupos de indivíduos (coortes) ao longo do tempo para investigar a relação entre exposições e desfechos. Podem ser prospectivos, quando o acompanhamento ocorre do presente para o futuro, ou retrospectivos (históricos), quando utilizam dados já coletados para reconstruir o acompanhamento do passado para o presente. A principal vantagem dos estudos de coorte, sejam eles prospectivos ou retrospectivos, é a capacidade de medir a incidência de uma doença ou evento, ou seja, a taxa de novos casos que surgem em uma população em risco. Isso permite estabelecer a sequência temporal entre exposição e desfecho, sendo fundamental para inferir causalidade, embora com limitações em estudos retrospectivos devido à qualidade dos dados históricos. No contexto da Atenção Primária à Saúde (APS) e da Estratégia Saúde da Família (ESF), estudos de coorte retrospectivos são valiosos para avaliar o impacto de programas de saúde em desfechos como incidência e mortalidade por HIV/AIDS, como demonstrado na questão. Eles fornecem evidências sobre a efetividade das intervenções em saúde pública, sendo um conhecimento essencial para residentes em Medicina Preventiva e Social.
Um estudo de coorte retrospectivo utiliza dados históricos para identificar uma coorte e acompanhar sua exposição e desfechos ao longo do tempo, do passado até o presente, sem a necessidade de um novo acompanhamento prospectivo.
Incidência é a taxa de novos casos de uma doença ou condição em uma população em risco durante um período específico. Em estudos de coorte, ela é calculada observando-se quantos indivíduos da coorte desenvolvem o desfecho ao longo do tempo de seguimento.
Prevalência mede a proporção de casos existentes de uma doença em uma população em um determinado momento (casos antigos e novos). Incidência mede a taxa de novos casos que surgem em uma população em risco durante um período específico.
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